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Jovem atropelada na BR-364 sai da sedação e respira sem aparelhos

Após ser atropelada por carreta enquanto voltava do trabalho em Rio Branco, Raissa Silva, 21, melhora, já reconhece a família e respira por conta própria.

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Ananda Rocha
Acre · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 541 palavras
Mão segura colar de contas no corredor de hospital de Rio Branco.
Após ser atropelada por carreta enquanto voltava do trabalho em Rio Branco, Raissa Silva, 21, melhor · Foto: Redação Nortícia

Adriana Silva, 26 anos, acorda antes do sol nascer. Ela pega o ônibus 504 no bairro da Bosque, em Rio Branco, e desce no Centro. O destino não é o trabalho, é o corredor da Unidade de Terapia Intensiva. Há duas semanas, aquele corredor com lâmpadas fluorescentes virou a sala de estar da família. Lá dentro, em um quarto isolado, luta pela vida a irmã dela, Raissa Silva de Souza, 21.

A vida de Raissa virou de cabeça para baixo numa tarde comum de volta do emprego. Ela pedalava sua bicicleta na margem da BR-364, na altura do km 0, quando uma carreta a atingiu. O impacto foi brutal. A jovem foi jogada contra o asfalto e socorrida em estado grave. Desde então, o quartinho onde ela morava com a mãe está vazio, e a rotina da família mudou para o turno de espera no hospital. A bicicleta não era lazer: era o transporte de trabalho. Com Raissa internada, a renda da família caiu pela metade.

Nesta segunda-feira (1º), o boletim médico trouxe um alívio que Adriana traduziu em lágrimas e gratidão. O quadro de Raissa evoluiu. Depois de dias conectada a ventiladores mecânicos, ela passou por uma traqueostomia e agora respira em ar ambiente. A sedação pesada foi reduzida aos poucos, permitindo que a jovem reaja ao toque e à voz dos parentes.

"Ela melhorou. O cérebro dela segue desinchando. Fizeram a traqueostomia, ela já está em ar ambiente, fora da ventilação, diminuíram a sedação e ela já está reagindo aos pouquinhos", relatou Adriana, segurando o celular com a bateria no fim. "Segue na UTI, mas está estável e reconhece a gente".

A espera no hospital é um cotidiano de números e protocolos. A família consulta os médicos a cada seis horas. No lado de fora, a comunidade se organizou. Uma vizinha do bairro Dona Mocinha, que nunca viu Raissa de bicicleta, foi levar marmita de frango com quiabo para Adriana. O motorista de táxi que faz o ponto perto do hospital dá desconto na corrida para a mãe da vítima. É a solidariedade que custura o medo.

A BR-364 é uma artéria vital e perigosa. Milhares de moradores de Rio Branco usam a pista para acessar o Distrito Industrial e bairros como o Conquistador. Muitos vão de bicicleta ou moto, despreparados para o volume de carretas que cortam a cidade. Onde não há passarela, o pedestre ou o ciclista arrisca. O acidente de Raissa não é um caso isolado nas estatísticas do trânsito do Acre, mas para Adriana é o único que importa agora.

A Polícia Rodoviária Federal registrou a ocorrência. O inquérito vai apontar a responsabilidade do motorista da carreta e as condições da via no momento da batida. Enquanto a justiça caminha lenta, a família corre contra o tempo na recuperação. Os médicos avisaram que o desmame da sedação é o passo mais crucial destes dias.

Para quem trafega pela BR-364 e precisa denunciar irregularidades ou pedir socorro, o número da PRF é o 191. O chamado cai na central de operações, mas a patrulha sai de Rio Branco. Adriana avisa que vai ficar ali, no banco duro do hospital, até a irmã sorrir de novo. "Vamos lutar até ela voltar para pedalar com a gente", promete.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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