Inscrições para o Minha Casa Minha Vida em Manaus encerram nesta sexta-feira
Simhab atualiza banco de dados da Prefeitura; cadastro pode ser feito pela internet ou na secretaria em São Geraldo.
Josenilda dos Santos, 39 anos, mora na invasão da beira do igarapé do Educandos, zona Sul de Manaus. Desde o início da semana, ela descansa a bicicleta no pátio de casa e corre para a lan house da rua 15 de Novembro. O objetivo é claro: garantir a inscrição no Minha Casa, Minha Vida antes do prazo se esgotar. As inscrições abertas pela Prefeitura de Manaus encerram nesta sexta-feira (29).
Josenilda teme perder a chance porque vive em área de risco. “Aqui quando chove, a água sobe e a gente dorme de um olho aberto”, conta ela, enquanto tenta carregar a página do Simhab no computador com defeito da lan house. O cadastro no Sistema Municipal de Habitação é a única porta de entrada para quem sonha com uma unidade do programa federal na capital. O recado vale para quem ainda não está no banco de dados da prefeitura: o cadastro antigo não serve para essa nova etapa de seleção.
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), disponibilizou duas vias. A primeira é digital, pelo site do Simhab, clicando na aba específica do programa. A segunda é presencial, na sede da Semhaf, localizada na travessa Arthur Bernardes, bairro São Geraldo, zona centro-sul. Na quarta-feira (28), a fila de espera na porta da secretaria já dobrava a esquina logo cedo.
Não basta chegar. Para se qualificar, a renda familiar bruta não pode ultrapassar R$ 2.850. Além disso, o chefe da família não pode ter pendências no Cadin, o Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal. A prefeitura alerta que a seleção prioriza famílias em situação de vulnerabilidade. O grupo inclui quem vive em áreas de risco, mães chefes de família e pessoas com deficiência.
O pedreiro Raimundo Nonato, 45 anos, saiu do trabalho na obra de Alvorada, zona Norte, para tentar a sorte na fila da Semhaf. Ele disse que não confia no cadastro pela internet. “Lá em casa a internet oscila, cai. Prefiro vir pessoalmente para ver se pegam meu papel”, explicou Raimundo, que mora de aluguel no Compensa e paga R$ 600 por um cômodo. A documentação exigida inclui RG, CPF e comprovante de residência de todos os membros do grupo familiar.
A assessoria da Semhaf informou, por nota, que a atualização cadastral é fundamental para mapear a demanda habitacional da cidade. O objetivo é garantir que as novas unidades do Minha Casa, Minha Vida cheguem para quem realmente precisa e atende aos critérios técnicos do programa. Não há previsão de prorrogação do prazo para esta etapa, o que gera um corre-corre nos postos de atendimento e nos terminais de internet gratuitos da cidade.
Na zona Leste, a expectativa também é alta. Dona Francisca da Costa, 62 anos, moradora do Conjunto Cidadão IV, está ajudando a filha a reunir os documentos. “Ela tem três filhos e ganha pouco. O programa é a saída para sair de aluguel”, diz. A preocupação agora é com a burocracia: muitos moradores não sabem consultar se estão com o nome sujo no Cadin, o que pode barrar a inscrição na triagem inicial.
Para evitar filas desnecessárias, a recomendação da Semhaf é reunir toda a documentação antes de sair de casa. No atendimento presencial na travessa Arthur Bernardes, o horário de funcionamento vai das 8h às 14h. Quem optar pelo site do Simhab, deve ter em mãos os números dos documentos de todos os dependentes. Dúvidas sobre o cadastro podem ser tiradas pelo telefone 156, a Ouvidoria Municipal.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



