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Justiça condena chefes do PCC por 'lojas' de drogas e cofre em Roraima

Sentença em Caracaraí estabelece penas de até nove anos para liderança e operadores financeiros da facção.

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Diego Câmara
Roraima · AM
05 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 390 palavras
Fachada do Fórum da Comarca de Caracaraí, onde foi proferida a sentença.
Sentença em Caracaraí estabelece penas de até nove anos para liderança e operadores financeiros da f · Foto: Redação Nortícia

A Vara Criminal Única da Comarca de Caracaraí condenou, na última sexta-feira (30), cinco integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico. A decisão judicial encerra uma fase da apuração iniciada com a Operação Fim de Dança, deflagrada pela Polícia Civil em novembro de 2025, que investigou a estruturação de pontos de venda e um sistema de arrecadação enterrado no interior do estado.

Segundo a denúncia do Ministério Público Estadual, o grupo operava através de "lojas" de drogas — pontos de venda varejista — que reportavam lucros e estoques a um "cofre central" oculto em propriedade rural. As penas aplicadas variam de três a nove anos de reclusão, em regime fechado, dependendo da hierarquia do condenado dentro da facção.

O réu R.A.X., apelidado de "Sorriso Maroto", foi condenado a 8 anos e 6 meses de prisão. A acusação o classificou como o líder enviado de São Paulo para comandar as atividades do PCC em Roraima. Nos autos, a magistrada extinguiu a punibilidade referente ao crime de tráfico de entorpecentes neste processo específico, visto que o réu já havia sido condenado pela mesma posse de drogas em outra ação penal. A decisão técnica evita o bis in idem, mantendo a condenação pelos delitos de organização criminosa e associação.

A pena mais severa foi aplicada a C.R.S., conhecida como "Kauany". Ela recebeu sentença de 9 anos, 1 mês e 7 dias de reclusão por seu papel de operadora financeira. A investigação apontou que C.R.S. geria os recursos provenientes das vendas e organizava os depósitos no cofre central, funcionando como uma tesoureira do esquema.

Também foram condenados os gerentes das "lojas" e o proprietário da terra rural onde o cofre foi encontrado. A defesa do proprietário argumentou falta de conhecimento sobre a finalidade do uso do solo, mas a tese foi rejeitada com base em provas materiais e testemunhais. Os gerentes, responsáveis pela venda direta e logística de distribuição, receberam penas que variam conforme o tempo de atuação e volume de drogas apurado.

Com a sentença de primeiro grau, os mandados de prisão foram expedidos. A defesa dos condenados informou que vai recorrer ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). O caso ilustra a tentativa de facções de fuori de domínio em consolidar logística na região Norte, utilizando o território roraimense como corredor estratégico.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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