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Memória de Parintins: o legado da cunhã-poranga e o debate sobre a melhor de todos os tempos

A figura central da festa amazônida representa mais que beleza; é a conexão ancestral com a floresta e o ponto alto das apresentações. Confira e vote.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
09 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 525 palavras
Cunhã-poranga dança no centro do Bumbódromo durante apresentação noturna, com traje indígena ornado com penas coloridas e colares de miçangas.
A figura central da festa amazônida representa mais que beleza; é a conexão ancestral com a floresta · Foto: Redação Nortícia

O som estridente do maracá corta a maresia do ar antes mesmo que a luz do Bumbódromo acenda completamente. No centro da arena, o passo é miúdo, o porte ereto e o colar de sementes faz um chocalho ritmado que sincroniza o coração da torcida. É a cunhã-poranga tomando o palco. Não é apenas uma fantasia de carnaval que ali dança, mas a reencenação viva e majestosa da mulher indígena, a guardiã da floresta que, na lenda, acalma a fera com sua graça e determinação.

O termo, que vem do tupi e significa "mulher bonita" ou "formosa", carrega nas letras da toada um peso muito maior que o estético. A cunhã-poranga é o símbolo da força feminina na Amazônia, o elo entre o sagrado da floresta e a festa profana do povo. Quando o g1 Amazonas abre uma enquete para eleger a melhor de todos os tempos, não está apenas pedindo um voto de popularidade, mas convocando a memória afetiva de gerações que assistiram ao festival sentadas na arquibancada de cimento ou ouvindo pelo rádio no meio da selva.

Seja vestindo o azul profundo do Caprichoso ou o vermelho intenso do Garantido, essas figuras marcaram épocas diferentes do festival. Há aquelas que, nos anos 80, traziam a maquiagem feita com urucum e jenipapo genuínos, o cheiro de terra e resença impregnando os bastidores. Outras, nas décadas seguintes, elevaram o figurino para a alta costura, trocando a fibra natural por materiais sintéticos brilhantes, mas sem perder o gingado do saracoteado que é marca registrada do povo do Norte.

Para a antropóloga e pesquisadora da cultura amazônida, a figura da cunhã-poranga sofreu uma transformação visual importante ao longo das décadas, mas a essência permanece. "Elas deixaram de ser coadjuvantes para serem verdadeiras musas da narrativa. A forma como ela conduz o olhar do público, a postura, é o que define o sucesso daquele momento", dizem os estudos sobre o folguedo. Não basta ser bonita; é preciso ter a postura da guerreira que, com a dança, derrota a tristeza.

A votação Divide águas. De um lado, as saudosistas das lendas que fizeram o público chorar de emoção nos anos 90, com performances teatrais e dramáticas. Do outro, as fãs da modernidade, das cunhãs-porangas que hoje surfam em plataformas iluminadas e dominam coreografias de ballet misturadas ao carimbó. É a disputa da tradição versus a inovação dentro do mesmo boi-bumbá.

O debate aquece as redes sociais e os botecos de Manaus e Parintins. É conversa de rua, de gente lembrando do ano em que choveu tanto que a lama invadiu o touro, ou daquele ano em que o sol estava tão quente que o brilho do colar parecia incendiar a noite.

Quem levou? A que teve o olhar mais feroz ou a que sorriu mais doce? A única certeza é que, ao escolher, a torcida está reverenciando as mulheres que mantêm viva a chama da cultura indígena dentro do maior espetáculo folclórico do mundo. Não é apenas uma votação; é um ato de reconhecimento.

Você pode participar dessa homenagem e registrar sua escolha na enquete do g1 Amazonas. É sua chance de contar qual cunhã-poranga mora na sua memória.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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