Luzes na serra intrigam moradores e exigem perícia em Xambioá
Vídeo de luzes fortes na Serra de Xambioá viralizou; pesquisador diz que apenas análise de solo pode explicar fenômeno.
O programador Anderson Oliveira, 28 anos, parou o carro na estrada vicinal que dá acesso à Serra de Xambioá, na zona rural do município, por volta das 19h30 de uma terça-feira de fim de maio. Ele não estava lá para pescar nem para fazer um churrasco com amigos, mas porque algo no topo da montanha chamou a atenção dele. O que ele viu — e gravou com o celular — foi uma sequência de luzes fortes piscando no céu escuro, um ritmo que não batia com o de avião, satélite ou relâmpago.
O vídeo de menos de um minuto saiu do grupo de família da região para cair nas feeds de todo o estado. Em Xambioá, cidade de pouco mais de 20 mil habitantes no norte do Tocantins, o assunto virou prato de dia na padaria e ponto de partida nas conversas de rua. Para uma cidade acostumada com o ritmo da agropecuária, a luz estranha trouxe uma interrupção inesperada na rotina.
"Eu achei que era um drone no começo, mas a luz era muito forte e alta demais. Não fazia barulho de motor", conta Anderson. Ele diz que as luzes duraram cerca de três minutos, piscando em uma frequência constante antes de sumirem atrás da vegetação. O susto deu lugar à curiosidade, e ele voltou ao local dias depois, armado com lanterna e GPS, para tentar achar alguma explicação no chão.
A busca por terra, porém, não deu resultados. Anderson percorreu a trilha que sobe a serra, mas a densidade da mata cerrada dificultou o acesso até o ponto exato onde as luzes pareciam estar. Sem pegadas, sem marcas de fogo e sem objetos deixados para trás, o fenômeno continuou sendo apenas o que estava no vídeo: luz.
Para quem estuda esses casos, a ausência de vestígios físicos é o que torna a investigação complexa. Rony Vernet, pesquisador de fenômenos anômalos que analisou as imagens de Xambioá, afirma que uma simples gravação não é suficiente para fechar qualquer diagnóstico científico. Segundo ele, a análise visual deixa uma lacuna enorme que só a ciência de campo pode preencher.
"A investigação exigiria a coleta de amostras do solo e o uso de equipamentos específicos de medição de radiação e campos magnéticos", explica Vernet. Ele destaca que o Tocantins tem um histórico curioso de relatos semelhantes, especialmente em áreas de natureza preservada e isoladas, longe do viaduto e da iluminação pública das capitais. "Locais com essas características costumam ter a presença desses fenômenos, que não se manifestam muito em cidades povoadas", completou o pesquisador.
O mistério não é exclusivo de quem filmou. Seu Raimundo Nonato, 54 anos, produtor rural que tem uma chácara a cerca de cinco quilômetros da base da serra, diz que estranhou o comportamento dos animais naquela noite. "Os cachorros ficaram latindo muito, e o gado se mexeu no curral como se tivesse espanto. Olhei para cima, mas da minha casa a serra tapa a vista", relembra. Só no dia seguinte, pelo rádio do vizinho, ele soube que as luzes haviam sido vistas.
Na internet, a teoria da vez faz conexão com um caso ocorrido no Paraná dias antes, onde luzes semelhantes foram registradas. A distância de mais de dois mil quilômetros, no entanto, torna a relação geográfica frágil para os moradores locais. Aqui, o interesse é menos sobre ser ou não extraterrestre, e mais sobre entender o que paira sobre a cidade.
Até o momento, não há registro de ocorrência na Polícia Militar ou no Corpo de Bombeiros sobre o fato. A Prefeitura de Xambioá também não se manifestou oficialmente sobre o episódio. Sem um laudo técnico ou um chamado no 190 confirmando queda de objeto, o caso segue como relato de testemunha.
Caso o fenômeno se repita, a orientação da Defesa Civil é para que moradores registrem o local com precisão via GPS e evitem subir a serra à noite sem equipamento de segurança. Qualquer suspeita de queda de aeronave ou incêndio deve ser comunicada imediatamente pelo telefone 199.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



