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Manaus tem verba de R$ 800 mi, mas moradores reclamam de falta de obras

Apesar destinação de R$ 790 milhões à Seminf, rompimentos de drenagem e erosões afetam bairros como Cidade Nova.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 479 palavras
Rua com buraco e erosão ao lado de residência em Manaus.
Apesar destinação de R$ 790 milhões à Seminf, rompimentos de drenagem e erosões afetam bairros como · Foto: Redação Nortícia

David da Silva, motoboy, perdeu o muro e parte do quintal na Rua Professora Emília Grana, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. O dia 2 de junho marcou o começo do problema: uma tubulação de drenagem cedeu. No dia seguinte, a chuva pesada fez o resto, arrastando a calçada e expondo a fundação da casa dele.

Hoje, o acesso é feito por um estreito corredor de concreto que não caiu. A estrutura da residência está comprometida, e o medo agora mora dentro de casa. "Meus filhos nem dormem mais aqui. Enviei eles para a casa da avó", conta David. A família vive sob a ameaça de um desabamento total a cada nova previsão de chuva.

O buraco na frente da casa de David é um sintoma de uma cidade que reclama de manutenção, mesmo com um caixa cheio. A Prefeitura de Manaus aprovou uma verba de quase R$ 800 milhões para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) em 2026. É dinheiro público destinado exatamente a evitar cenários como esse: erosões, rompimento de redes e pavimentação. No entanto, moradores da Cidade Nova e de outros bairros seguem reclamando da lentidão ou ausência de serviços.

A rede de drenagem que rompeu na Rua Professora Emília Grana é antiga. Vizinhos afirmam que a infiltração no solo foi notada há tempos, mas a vistoria preventiva não ocorreu a tempo. Com o rompimento, a água que deveria ser escoada ganhou força destrutiva, minando o terreno. Não é apenas o muro de David: a rede elétrica e de saneamento da quadra também corre risco de ruptura.

A infraestrutura urbana na Zona Norte de Manaus é um desafio constante. A região cresceu rápido, e muitas vezes as obras de drenagem não acompanharam o ritmo da ocupação. O resultado é água parada na rua e solo desgastado em períodos de cheia. Para 2026, o orçamento da Seminf é robusto, mas a execução em ruas como a da Cidade Nova deixa dúvidas sobre a prioridade da gestão.

A Nortícia solicitou à Prefeitura, por meio da Seminf, informações sobre o prazo para o reparo da rede danificada e se haverá contenção de erosão para proteger as residências vizinhas. A prefeitura não informou a data de início da obra até o fechamento desta matéria.

Enquanto o serviço não chega, cabe ao morador se proteger e pressionar. O caminho é o registro formal do pedido de serviço. A Prefeitura de Manaus atende solicitações de infraestrutura pelo telefone 156, gratuito, e pelo aplicativo Manaus Ágil. Ao denunciar, o morador deve pedir o número do protocolo. Esse número é a chave para cobrar a Secretaria depois.

Outra via é a própria Seminf, através da ouvidoria da pasta. Documentar com fotos e vídeo do buraco e da parede trincada ajuda na priorização do atendimento. Enquanto a chuva não para, a fiscalização da população é o único freio contra o abandono da via pública.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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