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Moradores usam canoas para resgatar gado isolado por cheia em Caracaraí

Água do rio Barauana subiu acima da ponte da BR-432 e ilhou animais; produtores perderam pastagem e fazem resgates improvisados.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 560 palavras
Grupo de homens empurra canoa com boi dentro em área alagada no interior de Roraima.
Água do rio Barauana subiu acima da ponte da BR-432 e ilhou animais; produtores perderam pastagem e · Foto: Redação Nortícia

Rivander Galvão entra na água até a cintura, pisando em lama, para empurrar a canoa de alumínio. Lá dentro, vai um boi de 300 quilos, machucado, exausto, tentando se equilibrar sem tombar a embarcação. É a terceira vez que a chuva sobe rápido na BR-432, exatamente na altura da ponte do rio Barauana, em Caracaraí, no Sul de Roraima. Ele não podia deixar o animal morrer afogado lá dentro.

A cheia deste maio bateu na porta da região rural de Caracaraí com força. Na semana passada, a água subiu acima da cota da ponte, cortando a estrada e transformando os pastos em lagoas. O gado, que estava pastando tranquilo, acordou ilhado. Sem barco e sem ajuda oficial rápida, o jeito foi improvisar o resgate com as próprias canoas de pesca.

"É animal morrendo, animal caindo. Alaga o pasto, alaga tudo. Todo ano é isso", conta Rivander, enquanto tira o lamaçal das botas de borracha. Ele mora na beira do rio e sabe que o ciclo das águas faz parte da vida, mas diz que o prejuízo agora é maior. "Não vou reclamar muito porque escolhi morar aqui, mas a gente precisa de um jeito de salvar a criação", diz.

No vídeo registrado pelos vizinhos na última quinta-feira (29), dá para ver o esforço coletivo. São quatro homens dentro d'água, segurando a madeira e a canoa pesada. Eles transportaram o boi por 300 metros até um terreno alto, fora do alcance da correnteza. O animal estava ferido, provavelmente ao tentar escapar da água corrente, e não conseguia nadar.

A Defesa Civil de Roraima confirmou o transbordamento do rio Barauana na sexta-feira (30). A BR-432, ligação vital para quem transporta gado e escoa a produção no sul do estado, ficou com o tráfego interditado por horas. O nível dos rios na bacia do Branco subiu acima da média histórica para o mês, surpreendendo até os pecuaristas mais antigos.

Maria de Lurdes, vizinha de Rivander, conta que perdeu 50 cabeças de gado no ano passado e teme a repetição do cenário. "A gente tenta levar para o terreiro alto, mas a água desce de repente e some com tudo. Esse boi que salvamos hoje era o reprodutor, se perdesse era um ano de trabalho jogado fora", diz ela, enquanto olha para o pasto inundado. A pecuária é a base da economia de Caracaraí, e cada animal perdido é um dinheiro que sai do bolso e não volta.

O problema é antigo na região, mas produtores locais sentem que a frequência e a intensidade das cheias mudaram. A solicitação por estudos de drenagem e um plano de contingência específico para a pecuária ribeirinha está na mesa da prefeitura há dois mandatos, segundo a Associação dos Produtores Rurais de Caracaraí. Até lá, o resgate continua sendo feito a braço e coragem.

Para os próximos dias, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuvas moderadas, mas o solo já está saturado. O nível do rio deve continuar subindo lentamente. O Corpo de Bombeiros alerta que moradores não devem tentar cruzar pontes alagadas com veículos pesados.

Produtores que precisam acionar o resgate de animais ou reporting de estradas danificadas em Caracaraí devem ligar para a Defesa Civil pelo número 199 ou para o Corpo de Bombeiros no 193. É importante registrar o pedido com o endereço exato da fazenda, já que o acesso está limitado.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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