Acidentes na BR-010 deixam três mortos em trechos do Tocantins
Motorista de caminhão e duas outras pessoas morreram em separados na rodovia entre Palmas, Aparecida do Rio Negro e Porto Nacional neste sábado.
Rayssa Alves Mendes, 21 anos, não completou a viagem neste sábado (30). A moto que ela pilotava trafegava pela BR-010 quando, no quilômetro 443, entrou em rota de colisão com uma caminhonete. O local fica entre Palmas e Porto Nacional, um trecho de movimento intenso. O impacto foi forte o suficiente para ceifar a vida da jovem, que foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) de Palmas para a necropsia, que ocorreu na manhã deste domingo (31).
A tragédia não foi isolada no mesmo corredor rodoviário. Poucas horas antes, por volta das 11h50, a sirene da Polícia Rodoviária Federal (PRF) já tinha sido acionada. Dessa vez, o registro foi no quilômetro 478, na ligação entre Palmas e Aparecida do Rio Negro. Francisco de Assis de Sousa Silva, 44 anos, estava à frente de um caminhão. Por razões que ainda serão detalhadas nos laudos técnicos, o veículo pesado perdeu a estabilidade, saiu da pista e tombou. Francisco não resistiu aos ferimentos e faleceu no local. O corpo foi levado ao IML e liberado para os familiares ainda no sábado.
O sombrio balanço do fim de semana na BR-010 contabiliza três vítimas fatais, incluindo Ozivaldo Francisco de Sousa, 40 anos. A rodovia, que corta o estado de ponta a ponta, registrou um alto número de ocorrências nas últimas 48 horas, deixando as equipes de resgate em alerta constante.
A BR-010 é mais que uma estrada para o tocantinense; é a artéria que conecta a produção do agronegócio aos centros consumidores e liga as cidades do entorno à capital. No trecho entre Palmas e Porto Nacional, o cenário é de cerrado, com retas longas que convidam ao excesso de velocidade. É ali que convivem, muitas vezes sem a distância necessária, caminhões carregados, automóveis familiares e motociclistas. A mistura de pesos e velocidades diferentes é um dos grandes fatores de risco apontados por especialistas em trânsito.
Moradores de Porto Nacional que seguem para a capital no fim de semana conhecem bem o quilômetro 443. O ponto, conhecido por ser uma área de convergência de veículos, exige redobrada atenção. O acidente que vitimou Rayssa interrompeu o fluxo em um dos momentos mais movimentados do dia, 18h34, obrigando a PRF a desviar o tráfego por minutos enquanto o resgate era feito.
Já no trecho próximo a Aparecida do Rio Negro, onde Francisco perdeu a vida, a paisagem é de planícies. A pista dupla permite ultrapassagens, mas exige precisão. Um erro de cálculo na direção de um veículo de grande porte, como o caminhão dirigido por Francisco, pode ser fatal. A PRF não informou se houve falha mecânica ou condição climática influenciando a saída de pista, mas reforçou a necessidade de manutenção preventiva dos veículos pesados que circulam pela região.
O Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados nas duas ocorrências. Em rodovias, o tempo de resposta é crucial, mas a gravidade dos impactos muitas vezes supera a rapidez do socorro. A sensação de impotência diante de destroços expostos no acostamento marca quem passa pelo local.
Para quem vai utilizar a BR-010 nos próximos dias, a recomendação é cautela. A PRF intensifica as blitzes de fiscalização nos finais de semana justamente para coibir infrações como excesso de velocidade e ultrapassagens proibidas. Motoristas de moto são orientados a usar roupas de proteção e a manter sempre faróis acesos para garantir maior visibilidade.
A orientação para emergências na rodovia é agilidade: ligar 191, informar o quilômetro exato, marcado nas placas azuis à margem da pista, e descrever o tipo de veículo envolvido. Esses detalhes fazem a diferença entre a vida e a morte no tempo de chegada da ambulância ou da viatura.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.


