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MP pede criação de abrigo temporário para animais abandonados em Manaus

Ação civil pública aponta aumento de 133% nos casos de abandono em 2025 e exige estrutura pública para acolhimento.

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Ananda Rocha
Amazonas · AM
30 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 585 palavras
Cachorro vira-lata cruza rua movimentada em Manaus.
Ação civil pública aponta aumento de 133% nos casos de abandono em 2025 e exige estrutura pública pa · Foto: Redação Nortícia

Dona Ana Paula Souza, 34 anos, parou o carro na avenida Djalma Batista, na noite de terça-feira, para resgatar um filhote de cachorro amarrado no meio-fio. Era mais um vira-lata deixado à própria sorte no centro de Manaus, onde o calor e a chuva alternam-se sem piedade. Em Manaus, cenas como essa deixaram de ser exceção no último ano. A capital do Amazonas vive um aumento alarmante no abandono de animais, e quem circula pelas ruas já sabe: o bicho está cada vez mais exposto.

No ano passado, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) contabilizou 219 registros de abandono. Em 2025, o número saltou para 510 — um aumento de 133% em apenas 12 meses. Os dados são da 53ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Histórico (Prodemaph), que cruzou as ocorrências e viu o gráfico disparar.

Sem um local oficial para deixar os bichos resgatados, quem tem coragem para parar na rua acaba levando o problema para dentro de casa. "Eu já tenho cinco em casa. Quando eu vejo um desses na rua, meu coração aperta, mas não tenho mais como levar", conta a comerciante Maria de Lurdes, 52 anos, moradora do bairro Alvorada, que viu a situação piorar nos últimos meses em volta do mercado onde trabalha.

O cenário de caos levou o MPAM a entrar na Justiça na última sexta-feira com uma Ação Civil Pública. O alvo é a Prefeitura de Manaus e o Governo do Estado. O pedido é simples e urgente: a criação de um abrigo temporário para cães e gatos. O Ministério Público argumenta que a falta de estrutura impede campanhas de castração eficazes e o recolhimento digno desses animais, o que afeta diretamente a saúde pública da cidade.

A ação cita o crescimento das denúncias de maus-tratos e de ocorrências em imóveis abandonados. O acúmulo de animais em locais insalubres, segundo o promotor, gera riscos de doenças, atropelamentos e conflitos entre moradores, além do sofrimento animal puro e simples. Em bairros como a Compensa e a Cidade Nova, relatos de matilhas que assustam pedestres se multiplicam.

Protetores independentes relatam que as redes sociais estão sobrecarregadas. "As ONGs estão lotadas, não dá mais para absorver. A gente vê caixa de entrada cheia de pedido de ajuda para resgatar animais em via pública, mas sem para onde levar", diz Lucas Mendes, protetor informal que atua na Zona Sul e depende da solidariedade alheia para manter os bichos que recolhe.

A Prefeitura de Manaus, por meio da Semulsp, ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ação judicial. A gestão municipal não possui hoje um Centro de Controle de Zoonoses com estrutura de abrigo de longa permanência; o foco atual é o recolhimento de animais com suspeita de raiva ou envolvidos em agressões. A Defesa Civil também é acionada em casos de enchentes, mas não tem base fixa para acolhimento.

A expectativa do MPAM é que a Justiça obrigue o poder público a criar um local equipado com veterinários, espaço para isolamento e área para adoção. A intenção é desviar esses animais das ruas e evitar que eles virem estatísticas de maus-tratos ou atropelamentos nas avenidas movimentadas da cidade. Enquanto a sentença não sai, os animais seguem nas calçadas e os moradores, lidando com o dilema de parar ou seguir em frente.

Quem presenciar maus-tratos ou abandono pode registrar denúncia na Ouvidoria do MPAM pelo telefone (92) 2129-5544 ou pelo aplicativo 'MPAM Cidadão'. A denúncia pode ser anônima e é essencial para embasar as fiscalizações.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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