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Normandia decretou emergência: 3,5 mil crianças sem aula e cortes de estradas

Enchentes pelo transbordamento dos rios Maú e Cotingo isolam comunidades indígenas e paralisam aulas no município.

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Ananda Rocha
Roraima · AM
30 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 612 palavras
Rua alagada em Normandia mostra casas com água até o meio da porta e carros submersos.
Enchentes pelo transbordamento dos rios Maú e Cotingo isolam comunidades indígenas e paralisam aulas · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca das Chagas, 41 anos, acorda com o barulho da água batendo nas ripas da varanda. Ela vive na comunidade beira do rio Cotingo, no interior de Normandia. Desde o final de abril, o rio avançou mais de dez metros para dentro do terreno. A cozinha está alagada, e o fogão a lenha precisa ficar em cima de tijolos para não apagar. É a terceira vez que a família precisa elevar os móveis em menos de um mês.

O prefeito Dr. Raposo (PP) assinou o decreto de situação de emergência na sexta-feira (30). O documento, publicado no Diário Oficial do Município, tem validade de 180 dias. A medida visa liberar recursos imediatos para conter os danos causados pela cheia histórica dos rios Maú e Cotingo. Além desses dois cursos d'água principais, os igarapés Inamará e Juruaquim também transbordaram, complicando o cenário na zona rural e nos bairros periféricos da sede municipal.

O impacto mais sentido agora é na educação. A prefeitura informou oficialmente que 3.500 crianças estão sem aula. As unidades escolares da zona rural foram as primeiras a suspender as atividades. Os caminhos vicinais que ligam as comunidades aos centros urbanos viraram lamaçais intransitáveis. Ônibus escolares não passam, e muitas famílias temem levar os filhos de canoa por conta da correnteza forte. Na zona urbana, algumas escolas funcionam em sistema de rodízio ou tiveram salas desativadas por causa da infiltração.

"A criança fica em casa sem fazer nada. A gente não tem como trazê-los até a cidade porque a estrada quebrou em três pontos", relata o agricultor Raimundo Nonato, 50 anos, residente na comunidade Malacacheta. Ele conta que a ponte de madeira que dava acesso à sua propriedade caiu na semana passada. A produção de banana e mandioca está parada. Sem caminhão passando, o que foi colhido apodrece no meio do roçado. O prejuízo já passa das toneladas.

O isolamento também atinge a saúde de quem vive fora da sede. Pacientes que precisam fazer tratamento de hemodiálise ou quimioterapia em Boa Vista enfrentam restrições severas de locomoção. O acesso ao hospital local ficou comprometido por trechos alagados na avenida principal. A Defesa Civil registrou o deslocamento de dezenas de famílias para casas de parentes na área mais alta da cidade, especialmente nas comunidades indígenas às margens dos rios. Entre as aldeias, o relato é de que as canoas não conseguem cruzar o rio Maú para chegar ao centro urbano. A prefeitura montou abrigos provisórios na quadra poliesportiva, mas a estrutura já começa a dar sinais de lotação.

Com o decreto de emergência, a gestão municipal está autorizada a comprar comida, colchões e medicamentos sem licitação. A regra vale para a contratação emergencial de serviços de limpeza e reconstrução de pontes provisórias. A secretaria de Obras já formou equipes para vistoriar as estradas cortadas, mas a água alta impede o avanço das máquinas pesadas em vários pontos críticos. A prioridade é restabelecer o acesso para o abastecimento e o resgate.

A previsão técnica é de que o nível das águas demore a baixar, dada a quantidade de chuva acumulada na bacia hidrográfica. Em Normandia, a cidade se prepara para um período longo de reconstrução. O decreto serve como passaporte para solicitar ajuda financeira ao governo do estado e ao governo federal, garantindo fundos para as obras de reparo das vias que ligam o município ao restante de Roraima.

Moradores que tiveram casas danificadas ou perderam plantações devem procurar a Defesa Civil Municipal para registrar o boletim de ocorrência do desastre. O cadastro é a porta de entrada para receber o auxílio-aluguel ou o kit de alimentação quando os recursos chegarem. A secretaria funciona na sede da prefeitura, das 8h às 14h.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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