Passageiro morre após ônibus tombar na Transamazônica, em São Domingos do Araguaia
Motorista desviou de animal na Ponte da Madalena; vítima saiu do ônibus, passou mal no local e socorro não chegou a tempo em São Domingos.
Menenderis Oliveira Silva, 39 anos, desceu do ônibus com as próprias pernas. O veículo tombado na lateral da BR-230, no km 48, assustava, mas parecia que o pior tinha passado. Era o trecho conhecido como Ponte da Madalena, em São Domingos do Araguaia, no sudeste do Pará. O relógio marcava o meio da tarde desta quarta-feira (3). Poucos minutos depois de sair do coletivo, porém, Menenderis sentiu um mal-estar súbito. Ele caiu no acostamento de terra batida e não resistiu. O socorro ainda estava a quilômetros de distância.
A viagem começou lá no Piauí, em Teresina. O destino final era Canaã dos Carajás, um dos municípios que mais crescem no Pará, puxado pela mineração. Eram 41 passageiros cruzando a Transamazônica, a BR-230, a maior artéria do Norte. O trajeto é longo. São horas de curvas fechadas, retas infinitas e poeira até o sudeste paraense. Quando o coletivo passava por São Domingos do Araguaia, um animal atravessou a pista sem avisar. Foi o que relatou o motorista aos primeiros atendentes. Para desviar, ele fez uma manobra brusca. O controle do veículo se perdeu e o ônibus saiu da estrada, tombando na margem da rodovia.
Quem passava pelo local se deparou com o cenário de vidros quebrados e pessoas desorientadas no acostamento. O som do impacto ecoou pela mata ciliar próxima. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acorreram ao local assim que o chamado chegou à central. No interior do Pará, o tempo de resposta é sempre uma corrida contra o relógio. As vítimas com ferimentos considerados leves foram estabilizadas no local e encaminhadas para unidades de saúde da região. Mas para Menenderis não houve tempo.
O corpo do viajante foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de Marabá, a cerca de 150 quilômetros dali. Marabá é o grande polo urbano daquela região. É para lá que vão os casos mais graves e as perícias. A família de Menenderis será contatada pela polícia, que agora trabalha para identificar o parentesco mais próximo e dar o destino ao corpo. A tristeza chega antes da notícia oficial para quem viajava junto.
Moradores de São Domingos do Araguaia e caminhoneiros que fazem o eixo Norte-Sul conhecem a Ponte da Madalena. É um ponto de atenção na pista. A Transamazônica vive um dilema constante: é a estrada do escoamento da produção, mas ainda tem trechos com pista simples e buracos. O movimento intenso de carros de passeio misturados com veículos de carga pesada aumenta o risco de acidentes graves. Muitos passageiros daquele ônibus eram trabalhadores que buscam na região de Carajás o sustento da família que fica longe.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) isolou a área para remover o veículo e realizar os exames de perícia. Eles precisam confirmar a versão do animal na pista e verificar se houve falha mecânica ou excesso de velocidade. O ônibus foi rebocado para um pátio próximo. Os passageiros que sobreviveram, muitos em choque, precisaram de ajuda para seguir viagem ou retornar às suas casas de origem. A viagem de esperança virou um pesadelo.
A estrada ficou liberada após o resgate. O fluxo de carros retomou a normalidade no fim da tarde. Mas para quem viajava naquele ônibus, a mudança de planos é total. Canaã dos Carajás, a cidade promissora que atrai trabalhadores de todo o Brasil, ficou um pouco mais distante para aquele grupo.
Em casos de acidentes em rodovias federais como a BR-230, a agilidade no pedido de socorro salva vidas. O número de emergência da Polícia Rodoviária Federal é o 191. Já o Samu deve ser acionado pelo 192. É fundamental informar o quilômetro exato, a direção da viagem e o número de possíveis vítimas para otimizar o envio das ambulâncias.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



