Unidade móvel de diabetes chega ao Pintolândia; veja como agendar
Carreta do CAMD oferece 9,5 mil atendimentos em Boa Vista por 44 dias; agendamento deve ser feito na UBS.
Dona Francisca Bezerra, 58 anos, moradora do bairro Pintolândia, em Boa Vista, acorda todos os dias pensando no açúcar no sangue. Ela tem diabetes tipo 2 e sabe que descuidar da glicemia é um risco constante. Até o mês passado, o caminho para fazer os exames de rotina implicava pegar o ônibus da linha 101 no calor de 40 graus até o centro, enfrentar a triagem do Hospital da Criança e voltar para casa exausta e ainda com dúvidas sobre o exame dos pés. Desde a última sexta-feira, 29 de maio, o deslocamento ficou mais fácil: a carreta do Centro de Atendimento Móvel ao Diabético — o CAMD — estacionou no estacionamento da Praça Germano Sampaio, a poucas quadras da casa dela.
"Eles chegaram e foi uma alegria. Aqui no bairro a gente tem a UBS, mas para exame de oftalmo e o pé é dificil", conta Francisca, que segurava a carteirinha do SUS embaixo do braço enquanto esperava o chamado na fila de sombra da praça. A unidade móvel não é apenas um consultório de tirar dúvidas. É uma estrutura completa com consultório médico, área para coleta de exames laboratoriais e equipamentos específicos para realizar o exame de pé diabético — essencial para prevenir amputações, um risco real no clima úmido de Roraima.
A carreta vai ficar em Pintolândia por 44 dias, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A meta da gestão municipal é ambiciosa: realizar cerca de 9,5 mil atendimentos ao longo da execução do projeto. Mas quem viu o caminhão estacionado na praça na segunda-feira de manhã e tentou entrar direto levou um fora. A regra de funcionamento é clara e serve para organizar a demanda: é preciso agendamento prévio. Não há fila de espera na porta da carreta para quem chega sem hora marcada.
O processo começa na porta de casa do paciente. O morador interessado — seja para fazer o diagnóstico precoce ou para quem já tem a doença e precisa de retorno — deve ir até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Lá, o agente comunitário de saúde ou a equipe de recepção faz o cadastro no sistema do CAMD e entrega a ficha com dia e horário. "Cheguei aqui às 7h achando que era por ordem de chegada, mas a enfermeira me explicou que tem que marcar no posto. Fui correndo na UBS do Pintolândia e já consegui para terça-feira que vem", relata Seu Raimundo Nonato, 65 anos, que toma sol na praça todos os dias.
A estratégia de descentralizar o atendimento alivia o fluxo dos hospitais de referência, como o Criança Conceição e o Hospital Geral de Roraima, que costumam ficar sobrecarregados com casos de hiperglicemia e complicações diabéticas agudas. Dentro da carreta, a equipe multidisciplinar oferece não só o atendimento médico, mas orientação nutricional e educação em saúde. Os pacientes aprendem a escolher os alimentos certos na feira e a importância de tomar os remédios nos horários certos, sem pular.
Para quem mora em bairros distantes, como o Cauamé ou o Senador Hélio Campos, a lógica é a mesma: a UBS de referência de cada região direciona o paciente para a unidade móvel quando surge a vaga, já que o serviço é municipal e não restrito apenas aos moradores do Pintolândia. O estacionamento da Praça Germano Sampaio foi escolhido pela localização central e pela facilidade de acesso viário para quem vem de outras regiões.
Ações como essa fazem diferença direta no bolso e no tempo de quem depende do SUS. Em vez de gastar dinheiro com passagem de ônibus para cruzar a cidade, o paciente investe o tempo em cuidar da saúde ali mesmo, no bairro. Dona Francisca conta que, além da economia, o conforto psicológico pesa na balança. "Dormir em casa e ir fazer exame perto dá mais tranquilidade para a gente. Ficar doente já é difícil, pegar condução piora ainda", diz ela.
Enquanto a carreta estiver em terras roraimenses, o serviço é gratuito e integral. Para garantir o seu lugar, o caminho é único: procure a UBS. Quem tiver sintomas como sede excessiva, perda de peso repentina ou feridas que não cicatrizam deve aproveitar a oportunidade para fazer o exame rápido de glicemia. A expectativa é que, ao final dos 44 dias, o banco de dados de diabéticos na cidade esteja mais atualizado, permitindo um acompanhamento mais próximo de quem precisa.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



