ed. #023
nortıcia
nortícia · cidades · roraima
Nortícia CidadesSaúde em Boa Vista

Unidade móvel de diabetes chega ao Pintolândia; veja como agendar

Carreta do CAMD oferece 9,5 mil atendimentos em Boa Vista por 44 dias; agendamento deve ser feito na UBS.

a
Ananda Rocha
Roraima · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 730 palavras
Carreta branca do CAMD estacionada no estacionamento da Praça Germano Sampaio em Boa Vista.
Carreta do CAMD oferece 9,5 mil atendimentos em Boa Vista por 44 dias; agendamento deve ser feito na · Foto: Redação Nortícia

Dona Francisca Bezerra, 58 anos, moradora do bairro Pintolândia, em Boa Vista, acorda todos os dias pensando no açúcar no sangue. Ela tem diabetes tipo 2 e sabe que descuidar da glicemia é um risco constante. Até o mês passado, o caminho para fazer os exames de rotina implicava pegar o ônibus da linha 101 no calor de 40 graus até o centro, enfrentar a triagem do Hospital da Criança e voltar para casa exausta e ainda com dúvidas sobre o exame dos pés. Desde a última sexta-feira, 29 de maio, o deslocamento ficou mais fácil: a carreta do Centro de Atendimento Móvel ao Diabético — o CAMD — estacionou no estacionamento da Praça Germano Sampaio, a poucas quadras da casa dela.

"Eles chegaram e foi uma alegria. Aqui no bairro a gente tem a UBS, mas para exame de oftalmo e o pé é dificil", conta Francisca, que segurava a carteirinha do SUS embaixo do braço enquanto esperava o chamado na fila de sombra da praça. A unidade móvel não é apenas um consultório de tirar dúvidas. É uma estrutura completa com consultório médico, área para coleta de exames laboratoriais e equipamentos específicos para realizar o exame de pé diabético — essencial para prevenir amputações, um risco real no clima úmido de Roraima.

A carreta vai ficar em Pintolândia por 44 dias, funcionando de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A meta da gestão municipal é ambiciosa: realizar cerca de 9,5 mil atendimentos ao longo da execução do projeto. Mas quem viu o caminhão estacionado na praça na segunda-feira de manhã e tentou entrar direto levou um fora. A regra de funcionamento é clara e serve para organizar a demanda: é preciso agendamento prévio. Não há fila de espera na porta da carreta para quem chega sem hora marcada.

O processo começa na porta de casa do paciente. O morador interessado — seja para fazer o diagnóstico precoce ou para quem já tem a doença e precisa de retorno — deve ir até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência. Lá, o agente comunitário de saúde ou a equipe de recepção faz o cadastro no sistema do CAMD e entrega a ficha com dia e horário. "Cheguei aqui às 7h achando que era por ordem de chegada, mas a enfermeira me explicou que tem que marcar no posto. Fui correndo na UBS do Pintolândia e já consegui para terça-feira que vem", relata Seu Raimundo Nonato, 65 anos, que toma sol na praça todos os dias.

A estratégia de descentralizar o atendimento alivia o fluxo dos hospitais de referência, como o Criança Conceição e o Hospital Geral de Roraima, que costumam ficar sobrecarregados com casos de hiperglicemia e complicações diabéticas agudas. Dentro da carreta, a equipe multidisciplinar oferece não só o atendimento médico, mas orientação nutricional e educação em saúde. Os pacientes aprendem a escolher os alimentos certos na feira e a importância de tomar os remédios nos horários certos, sem pular.

Para quem mora em bairros distantes, como o Cauamé ou o Senador Hélio Campos, a lógica é a mesma: a UBS de referência de cada região direciona o paciente para a unidade móvel quando surge a vaga, já que o serviço é municipal e não restrito apenas aos moradores do Pintolândia. O estacionamento da Praça Germano Sampaio foi escolhido pela localização central e pela facilidade de acesso viário para quem vem de outras regiões.

Ações como essa fazem diferença direta no bolso e no tempo de quem depende do SUS. Em vez de gastar dinheiro com passagem de ônibus para cruzar a cidade, o paciente investe o tempo em cuidar da saúde ali mesmo, no bairro. Dona Francisca conta que, além da economia, o conforto psicológico pesa na balança. "Dormir em casa e ir fazer exame perto dá mais tranquilidade para a gente. Ficar doente já é difícil, pegar condução piora ainda", diz ela.

Enquanto a carreta estiver em terras roraimenses, o serviço é gratuito e integral. Para garantir o seu lugar, o caminho é único: procure a UBS. Quem tiver sintomas como sede excessiva, perda de peso repentina ou feridas que não cicatrizam deve aproveitar a oportunidade para fazer o exame rápido de glicemia. A expectativa é que, ao final dos 44 dias, o banco de dados de diabéticos na cidade esteja mais atualizado, permitindo um acompanhamento mais próximo de quem precisa.

a
◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cidades

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cidades no Norte. Sem agenda, sem partido.