Polícia Civil cumpre mandados da Operação Nocaute contra tráfico em Palmas
Ação bloqueou R$ 1,7 milhão em contas e prendeu suspeito de liderar venda de drogas via Pix na capital tocantinense.
A Polícia Civil do Tocantins deflagrou na manhã desta quinta-feira (28) a Operação Nocaute, cumprindo três mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em pontos estratégicos de Palmas. A ação, coordenada pela 1ª Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc), tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de comandar o tráfico de entorpecentes no varejo na capital tocantinense.
Segundo o delegado Alexandre Pereira Costa, titular da Denarc, as investigações tiveram início após intelligence policial identificar uma movimentação financeira atípica vinculada a um homem de 28 anos, identificado pelas iniciais D.R.J.A. As autoridades apontam D.R.J.A. como o possível líder da quadrilha, que operava com estrutura logística própria para distribuição de drogas.
A coordenação da operação destacou a sofisticação do esquema criminoso, que adotou métodos modernos de pagamento para dificultar o rastreio de lucros. O grupo utilizava transações via Pix para faturar as vendas de entorpecentes, reduzindo o manuseio de dinheiro em espécie. As vendas eram agendadas e coordenadas por aplicativos de mensagem instantânea, uma dinâmica que, segundo a polícia, expandiu o alcance do tráfico para diferentes bairros de Palmas.
Durante o cumprimento dos mandados, a equipe policial realizou o bloqueio judicial de valores que somam aproximadamente R$ 1,74 milhão em contas bancárias associadas aos investigados. Além do bloqueio de ativos financeiros, foi apreendido um automóvel de luxo, avaliado em R$ 125 mil, que seria utilizado pelo suspeito principal. O delegado Alexandre Pereira Costa ressaltou que o padrão de vida ostentado por D.R.J.A. foi um dos principais indícios para a deflagração da operação.
"Nós percebemos que ele levava uma vida de luxo, uma vida cara, frequentando restaurantes de alto custo aqui na cidade de Palmas, sem, contudo, exercer qualquer atividade laboral lícita registrada em carteira ou como empresário regular", afirmou o delegado. A discrepância entre os rendimentos declarados e os bens adquiridos fundamentou os pedidos de prisão preventiva e quebra de sigilo bancário aceitos pela Justiça.
Com as prisões efetuadas na manhã de quinta, os investigados foram encaminhados à Central de Flagrantes de Palmas para a lavratura do auto de prisão em flagrante. A Polícia Civil informou que as prisões serão fundamentadas nos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, tipificados na Lei 11.343/2006. Se condenados, os suspeitos podem penas que variam de oito a vinte anos de reclusão, conforme os artigos 33 e 35 da legislação penal.
A defesa técnica de D.R.J.A. foi oficiada pela corporação para apresentação de resposta aos autos. Até o fechamento desta matéria, não havia informação sobre a constituição de advogado pelos detentos. A investigação prossegue agora para a identificação de fornecedores da organização e de possíveis lavagem de dinheiro envolvendo os valores bloqueados.
O inquérito policial deve ser concluído e enviado ao Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO) para análise e possível oferecimento de denúncia criminal. A Operação Nocaute integra as ações estatutárias da Polícia Civil para a repressão ao narcotráfico e à criminalidade organizada no estado. As apreensões e bloqueios representam, até o momento, um desmantelamento financeiro significativo de quadrilhas de varejo em Palmas.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
Leia também —
ver mais em Segurança →
Nortícia SegurançaHomem é morto a tiros em frente ao Ciretran de Redenção, no Pará
Nortícia SegurançaGefron prende homem e apreende adolescente com 70 kg de drogas em Cruzeiro do Sul
Nortícia Segurança