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Nortícia SegurançaOperação Obadias 3:4

PF deflagra operação contra invasão de contas da Caixa em TO e SE

PF investiga desvio de R$ 492 mil em contas digitais da Caixa; mandados foram cumpridos em Araguaína, no Tocantins, e em Sergipe.

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Diego Câmara
Tocantins · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 579 palavras
Peritos da Polícia Federal analisam computadores apreendidos durante operação em Araguaína.
PF investiga desvio de R$ 492 mil em contas digitais da Caixa; mandados foram cumpridos em Araguaína · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (19) a Operação Obadias 3:4, cumprindo cinco mandados de busca e apreensão nos estados de Sergipe e Tocantins. As diligências foram realizadas nos municípios de Carira e Itabaiana, em Sergipe, e em Araguaína, no norte do Tocantins. A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa investigada pela prática de invasão de dispositivos e contas digitais da Caixa Econômica Federal, resultando no desvio de recursos de correntistas.

Segundo aponta o inquérito policial instaurado na Superintendência da PF, a quadrilha teria realizado o acesso indevido a pelo menos 142 contas digitais da instituição financeira. O prejuízo acumulado estimado pelas vítimas e pela instituição bancária ultrapassa R$ 492 mil. Das quantias ilicitamente subtraídas, aproximadamente R$ 240 mil teriam tido como destino final contas bancárias localizadas no estado de Sergipe. No entanto, a estrutura de lavagem de dinheiro empregada pelo grupo envolvia a abertura e utilização de contas bancárias em nome de terceiros — conhecidos no meio policial como "laranjas" —, especificamente na cidade de Araguaína, no Tocantins.

A investigação determinou que, para garantir a impunidade e ocultar a titularidade real dos valores, os integrantes do grupo utilizavam documentos falsos para abrir essas contas receptadoras. A prática configura os crimes tipificados no Código Penal como falsidade ideológica e uso de documento falso. O modus operandi, segundo a PF, consistia em realizar a transferência imediata dos valores após o acesso indevido às contas das vítimas, fracionando o dinheiro para evitar bloqueios automáticos dos sistemas de segurança bancária.

Como medida assecuratória visando a reparação dos danos e a prevenção de novas fraudes, a Justiça Federal determinou o bloqueio administrativo de R$ 255.575,09 em ativos financeiros diretamente vinculados aos investigados. A ordem judicial abrangeu contas correntes, aplicações financeiras e veículos em nome dos suspeitos ou de pessoas jurídicas de fachada utilizadas pelo grupo.

Os crimes investigados sob a égide da Operação Obadias 3:4 são furto mediante fraude, organização criminosa (associação para o crime), uso de documento falso, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro (lavagem de capitais). A classificação como organização criminosa fundamenta-se na identificação de divisão de tarefas entre os membros — operadores de invasão, receptadores e fornecedores de dados — e na continuidade das atividades ilícitas ao longo do tempo.

O cumprimento dos mandados em Araguaína contou com o apoio da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos do Tocantins. Peritos em informática forense realizaram a busca em celulares, computadores e tablets apreendidos nas residências dos alvos para recuperar provas deletadas e estabelecer o nexo de autoria entre as invasões e os investigados. A coordenação entre as unidades da PF em Sergipe e Tocantins foi fundamental para mapear o fluxo financeiro interestadual da quadrilha.

Até o encerramento desta matéria, as defesas técnicas dos investigados haviam sido procuradas, mas não se manifestaram oficialmente sobre os fatos. Segundo orientação da própria Polícia Federal, todos os investigados preservam a presunção de inocência até o trânsito em julgado de eventual condenação. Não houve prisões em flagrante durante a operação, sendo as medidas cautelares de natureza patrimonial prioritárias nesta fase.

A investigação seguirá em andamento para a identificação de eventuais coautores que ainda não foram incluídos nos alvos iniciais. O inquérito policial, que tramita sob segredo de Justiça, será encaminhado ao Ministério Público Federal para análise. A próxima etapa processual prevê a oferta de denúncia ou o pedido de arquivamento, dependendo do resultado das perícias nos equipamentos apreendidos. A PF reforçou que vítimas de fraudes similares devem registrar ocorrência em delegacias especializadas.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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