Polícia Civil investiga desaparecimento de taxista em Paraíso do Tocantins
Homem de 37 anos sumiu em abril em área de mata na divisa com Monte Santo. Bombeiros encerraram buscas e PC apura paradeiro.
O taxista José Neto Gomes de Araújo, 37 anos, é considerado oficialmente desaparecido desde o dia 19 de abril em Paraíso do Tocantins. A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do sumiço, ocorrido nas proximidades do Balneário Cachorra, área de lazer localizada na divisa administrativa com o município de Monte Santo do Tocantins. As buscas terrestres e aquáticas realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar foram oficialmente encerradas após esgotarem as pistas físicas na região, sem que houvesse localização da vítima.
Conforme registros do Boletim de Ocorrência (B.O.) lavrado na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Paraíso do Tocantins, a vítima saiu de residência na manhã daquele domingo com o intuito de tomar banho no local. Testemunhas ouvidas em depoimento informaram à autoridade policial que José Neto foi visto pela última vez quando se dirigia a uma área de mata fechada adjacente ao balneário. Desde então, não houve novo contato por telefone ou redes sociais, e o sinal do aparelho celular foi interrompido naquela área geográfica.
A operação de busca foi deflagrada imediatamente após o recebimento da comunicação do fato pelos familiares. Equipes do 1º Batalhão de Bombeiros Militar realizaram varreduras sistemáticas na mata, varadouros e no curso d'água próximo ao ponto de desaparecimento. Técnicos em buscas e salvamento enfrentaram dificuldades de acesso devido à densidade da vegetação típica do bioma local. A estratégia envolveu o uso de botes e rastreamento visual a pé, mas não foi possível localizar vestígios, pertences ou rastros que permitissem estabelecer com precisão a rota tomada pelo taxista após ingressar na mata.
O Comando do Corpo de Bombeiros confirmou, por nota oficial, a suspensão das atividades táticas de campo. A justificativa técnica aponta para a ausência de novos dados de inteligência que direcionassem o esforço para áreas específicas, tornando a busca em área ampla sem foco inviável diante da logística envolvida. A família foi informada sobre o encerramento da fase de emergência e instruída sobre a continuidade da apuração pela via policial.
A investigação criminal, agora sob responsabilidade da Delegacia, concentrou-se na análise do perfil da vítima e das circunstâncias que antecederam o evento. Delegados responsáveis pelo caso solicitaram à operadora de telefonia móvel os metadados, histórico de chamadas e a última torre de antena que captou o sinal do aparelho de José Neto. A medida visa cruzar informações com o depoimento das testemunhas que o acompanhavam no dia do evento para verificar incongruências na linha do tempo apresentada.
A família de Araújo, por intermédio do pai, Antônio Gomes, manifestou publicamente o desejo de que as investigações não sejam arquivadas. Em declaração aos veículos de comunicação locais, o responsável afirmou que a família não desiste de encontrar o paradeiro do filho e cobra agilidade nos trâmites processuais. "É demais para um pai e uma mãe passar por uma situação dessas. Não vamos desistir enquanto a verdade não aparecer", declarou Antônio, cujo relato foi anexado aos autos do inquérito como documento de circunstância.
Do ponto de vista processual, o desaparecimento de pessoa adulta gera procedimentos específicos na esfera penal. Na fase atual, a Polícia Civil investiga a possibilidade de ocorrência de crime contra a vida, contra a liberdade individual ou se trata de um afastamento voluntário. Não há, até o momento, indícios materiais que comprovem a ocorrência de crime doloso, o que mantém a investigação classificada como apuração de paradeiro e de circunstâncias.
O inquérito policial segue em andamento na 1ª Delegacia de Paraíso do Tocantins. A autoridade policial aguarda o resultado dos laudos técnicos de telecomunicações e o cruzamento de dados com outras bases de segurança pública para descartar a hipótese de deslocamento voluntário para outros municípios ou estados. O caso encontra-se cadastrado no sistema nacional de desaparecidos, permitindo o alerta fronteiriço caso o nome da vítima conste em registros de hospitais, instituições penais ou delegacias em outras unidades da federação.
A próxima etapa processual prevê a análise de imagens de circuito de videomonitoramento (CFTV) de estabelecimentos comerciais na região de acesso ao balneário, bem como a reconstituição simulada dos fatos caso novas testemunhas sejam qualificadas. A Polícia Civil reitera que qualquer informação sobre o paradeiro de José Neto Gomes de Araújo pode ser encaminhada de forma anônima aos canais oficiais da instituição ou diretamente ao Disque Denúncia. A investigação mantém-se em aberto sem prazo prescricional definido para a localização de pessoas.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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