ed. #023
nortıcia
nortícia · segurança · roraima
Nortícia SegurançaEstelionato

PC investiga golpe em dedetização com cobranças de até R$ 8 mil em Roraima

Grupo usava uniformes falsos e alegava uso excessivo de produto para aumentar o valor final após o serviço em Boa Vista.

d
Diego Câmara
Roraima · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 600 palavras
Equipamentos de dedetização e uniformes utilizados por suspeitos em investigação da PC em Roraima.
Grupo usava uniformes falsos e alegava uso excessivo de produto para aumentar o valor final após o s · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Civil de Roraima investiga a atuação de um grupo formado por cinco homens suspeitos de aplicar golpes em serviços de dedetização na capital, Boa Vista. O inquérito policial aponta que a quadrilha, que já deixou o estado, cobrou valores que chegam a R$ 8 mil de vítimas, alterando fraudulentamente o preço acordado após a conclusão do serviço mediante a alegação de um consumo excessivo e irreal de produtos químicos.

Segundo os autos do inquérito, que corre em sigilo na Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra o Patrimônio, a tática empregada pelos suspeitos envolvia a criação de uma fachada de regularidade. Os indivíduos circulavam vestindo uniformes com inscrições como "Serviço de dedetização autorizada" e "Controle de pragas", o que facilitava o acesso a residências, hotéis e estabelecimentos comerciais. A abordagem inicial era convincente, com a proposta de um valor de mercado: cerca de R$ 280 por litro de inseticida, estimando-se a necessidade de dois litros para o imóvel.

O golpe se concretizava no momento do pagamento. Ao término da aplicação, os suspeitos informavam às vítimas que a estrutura do imóvel exigiu uma quantidade muito maior do produto, variando entre 14 e 20 litros. Com base nessa nova informação, o valor final saltava da faixa de R$ 560 para valores próximos a R$ 8 mil. Peritos consultados pela Polícia Civil atestaram que tais volumes são tecnicamente incompatíveis com a dedetização de imóveis urbanos de tamanho médio ou grande, sugerindo uma fraude deliberada nos números apresentados.

As vítimas, em depoimentos prestados à autoridade policial, relataram ter se sentido coagidas a realizar o pagamento. A presença de vários homens uniformizados no ambiente doméstico ou comercial, aliada à insistência e tom ameaçador adotado durante a cobrança, gerou um cenário de temor que levou os consumidores a quitarem as dívidas — muitas vezes por meio de PIX ou transferências bancárias — apenas para encerrar a situação de risco.

A autoridade policial responsável pelo caso destacou que o modus operandi indica uma ação planejada, caracterizando o crime de estelionato (Art. 171 do Código Penal). A intenção de ludibriar a vítima é comprovada pela discrepância entre o serviço ofertado e o produto efetivamente utilizado, bem como pelo uso de vestimentas que simulam uma autorização oficial inexistente. O uso de uniformes falsos também pode configurar infrações administrativas perante os órgãos de fiscalização sanitária.

As investigações revelam que o grupo atuou na cidade por um período determinado, acumulando denúncias. Após perceberem o aumento da atenção policial e o registro de Boletins de Ocorrência (B.O.) por parte das primeiras vítimas, os suspeitos deixaram Roraima. A Polícia Civil agora trabalha em conjunto com outros estados para rastrear a rota de fuga e localizar os investigados para cumprimento de mandados de prisão preventiva e condução coercitiva.

O inquérito deve ser encaminhado ao Ministério Público Estadual com o pedido de denúncia pelos crimes de estelionato e formação de quadrilha, se comprovado o vínculo estável entre os cinco suspeitos. A investigação também analisa se há ligação do grupo a ocorrências semelhantes em outros estados da região Norte, dada a característica itinerante da atividade criminosa.

A corporação orienta a população a redobrar a atenção na contratação de serviços terceirizados. Recomenda-se exigir a apresentação de documento de identidade, CPF e CNPJ da prestadora de serviço, bem como a consulta à regularidade da empresa no site do Conselho Regional de Química (CRQ). É fundamental que todos os acordos, incluindo a previsão exata da quantidade de material a ser utilizado e o preço final, sejam formalizados por escrito ou em contrato digital antes do início do trabalho, evitando aceitar orçamentos verbais que impeçam a fiscalização posterior.

d
◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Segurança

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em segurança no Norte. Sem agenda, sem partido.