PC investiga mortes de animais com sinais de veneno em Macapá
Série de mortes no Conjunto Açucena levou abertura de inquérito; vídeo mostrou filhotes ao lado de cadáver de gata.
A Polícia Civil do Amapá (PC-AP) instaurou inquérito para apurar a morte de animais no Conjunto Habitacional Açucena, bairro da zona Sul de Macapá. A investigação foi deflagrada após o registro de uma ocorrência, na última sexta-feira (30), que documenta o óbito de uma gata com fortes indícios de envenenamento, encontrada na via pública. Segundo o Boletim de Ocorrência (B.O.) lavrado no 3º Distrito Policial, a vítima, um animal doméstico, foi localizada de barriga para cima, apresentando espuma pela boca e rigidez cadavérica, enquanto filhotes ainda tentavam mamar.
As informações constam no procedimento administrativo que tramita sob sigilo na Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Deama). Conforme relato testemunhal prestado pelo morador Paulo Cesar Cardoso, de 34 anos, a cena foi flagrada por volta das 8h da manhã na rua principal do conjunto habitacional. O morador, que coordena atividades sociais na localidade, informou à autoridade policial que a região tem vivenciado um surto de mortes de cães e gatos nas últimas duas semanas, com um levantamento informal apontando a perda de mais de dez animais.
A polícia científica foi acionada para periciar o local e recolher o corpo do animal para exame necroscópico. O objetivo do laudo técnico é confirmar a natureza da substância ingerida e classificar o mecanismo da morte. As imagens gravadas pelo morador foram anexadas aos autos como prova material, embora a identificação do autor ainda dependa de cruzamento de dados e das perícias.
De acordo com a legislação vigente, a hipótese investigativa é a prática do crime tipificado no Art. 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98). O dispositivo prevê pena de detenção de três meses a um ano e multa para quem praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Na modalidade de envenenamento, a ação é qualificada pela intencionalidade e pelo sofrimento imposto.
Os investigadores ouviram testemunhas até o momento. As declarações convergem para a suspeita de que um indivíduo ou grupo estaria disseminando iscas envenenadas, misturadas a alimentos, em áreas comuns do condomínio residencial. A PC-AP solicita que moradores que possuam câmeras de segurança disponham das imagens para perícia técnica. O inquérito deverá ser concluído e remetido ao Ministério Público Estadual com o relatório final da autoridade policial.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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