DEPCA investiga oito denúncias contra Melqui Galvão no Amazonas
Investigado está preso preventivamente em Manaus acusado de estupro e abuso contra nove vítimas, incluindo menores de idade.
A Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) da Polícia Civil do Amazonas apura oito inquéritos contra o professor de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão. As investigações apontam a prática de crimes sexuais contra nove vítimas no Amazonas e em São Paulo, com suspeitas que incluem estupro, armazenamento indevido de imagens e coação. O investigado cumpre prisão preventiva em Manaus desde a formalização das acusações na capital.
O caso teve início após o registro de uma ocorrência em São Paulo, feita por uma ex-aluna de 17 anos, o que motivou a instauração de inquérito naquele estado. A divulgação do fato estimulou que outras vítimas, supostamente agredidas enquanto frequentavam aulas ministradas pelo suspeito em Manaus, procurassem a autoridade policial amazonense. Das nove vítimas identificadas até o momento, seis relataram estupro, uma denunciou o armazenamento indevido de fotografias de menores, uma relatou coação acompanhada de ameaças e outra afirmou ter sofrido abuso sexual.
Segundo informações da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), seis das vítimas recebem acompanhamento psicossocial e jurídico do órgão. Recentemente, uma nova vítima confirmou em entrevista ter sido estuprada cinco vezes durante o período de um ano. O contexto dos abusos, segundo o depoimento, ocorreu enquanto a vítima participava de um projeto social esportivo mantido pelo investigado em Manaus.
A prisão preventiva de Melqui Galvão foi decretada pela justiça amazonense para garantir a ordem pública e a instrução criminal, considerando o número de denúncias e a vulnerabilidade das vítimas. A defesa técnica do investigado não foi localizada para comentar os fatos até o momento. Nos autos do inquérito que tramita em São Paulo, a defesa alegou, em momento anterior, que as relações eram consensuais, tese que será analisada pelo Ministério Público e pelo Judiciário em cada uma das ações penais que venham a ser instauradas.
As investigações da Depca seguem em sigilo, com a coleta de depoimentos e perícias técnicas. O passo seguinte envolve o envio dos relatórios finais ao Ministério Público do Amazonas (MPAM), que avaliará o oferecimento de denúncias por estupro de vulnerável e outros delitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal. Caso sejam aceitas as denúncias, o processo seguirá para a Vara de Crimes contra a Dignidade Sexual de Manaus.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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