PF desarticula organização que movimentou R$ 200 mi com cassiterita ilegal no AP
Grupo agia em Calçoene e 'esquentava' 670 toneladas do minério com documentação fraudulenta para inseri-lo no mercado formal.
A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quinta-feira (18) três mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva em três unidades da federação — Amapá, São Paulo e Minas Gerais. As ações integram as operações Trato Sujo II e Trono de Ferro II, deflagradas com o objetivo de desarticular uma organização criminosa acusada de extração e comercialização ilegal de cassiterita em Calçoene, município localizado no norte amapaense.
Segundo apurou a PF, a organização criminosa atuava na extração de minério em área de garimpo clandestino, considerado um dos maiores do estado. As investigações indicam que o grupo movimentou mais de 670 toneladas de cassiterita ao longo das operações investigadas. O minério extraído ilegalmente era inserido no mercado formal por meio de documentação fraudulenta, em um esquema de "esquentamento" que visava ocultar a origem ilícita do produto.
O valor estimado das operações ilegais coordenadas pelo grupo ultrapassa R$ 200 milhões. Além do prejuízo à ordem econômica, a atividade garimpeira irregular causou danos ambientais de grande magnitude na região de Calçoene. A ação policial desta quinta é um desdobramento direto da primeira fase da operação Trono de Ferro, realizada em 19 de fevereiro deste ano. Naquele momento, foram cumpridos 36 mandados judiciais, resultando na prisão de seis pessoas e no bloqueio de cerca de R$ 405 milhões em bens e valores.
Nesta segunda fase, o foco das investigações recaiu sobre a logística de comercialização e a lavagem de dinheiro. A PF apura que a organização utilizava empresas de fachada e notas fiscais frias para legitimar a venda da cassiterita. O esquema envolvia o transporte do minério extraído no Amapá para outros estados, onde era vendido para siderúrgicas e compradoras de minérios, muitas vezes com a conivência de agentes que ignoravam ou omitiam a irregularidade da procedência.
Entre os alvos desta fase estão investigados que atuavam na ponta da comercialização e na falsificação documental. A PF realizou a coleta de provas material e documental para subsidiar o inquérito policial que investiga os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crimes contra a ordem tributária e o meio ambiente. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pelo Juízo Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Amapá.
As operações Trato Sujo II e Trono de Ferro II contaram com o apoio de órgãos ambientais e da Receita Federal para o rastreamento financeiro e ambiental das atividades. A expectativa da autoridade policial é que, com a prisão dos principais operadores financeiros do esquema, seja possível interromper o fluxo de recursos proveniente da extração ilegal e identificar outras frentes de atuação da organização na região Amazônica. Os detidos serão levados à presença da autoridade judicial para a audiência de custódia, onde a defesa poderá apresentar requerimentos de revogação da prisão preventiva.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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