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Justiça bloqueia R$ 429 milhões da Tren de Aragua em operação em Roraima

Polícia Civil aponta lavagem de dinheiro e tráfico de armas; 34 alvos são investigados por ligação com facção venezuelana.

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Diego Câmara
Roraima · AM
18 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 503 palavras
Perícia da Polícia Civil analisa materiais apreendidos em operação contra lavagem de dinheiro.
Polícia Civil aponta lavagem de dinheiro e tráfico de armas; 34 alvos são investigados por ligação c · Foto: Redação Nortícia

A Justiça de Roraima determinou o bloqueio de R$ 429 milhões em contas bancárias e ativos financeiros supostamente vinculados à facção criminosa venezuelana Tren de Aragua. A medida judicial integra a "Operação Rota do Norte", deflagrada pela Polícia Civil do estado (PC-RR) na última segunda-feira (16) com o objetivo de desarticular a estrutura de lavagem de dinheiro e financiamento do grupo no Brasil.

Segundo o inquérito que embasa as investigações, o bloqueio atinge diretamente 34 pessoas físicas e jurídicas investigadas por comporem o núcleo financeiro da organização na região Norte. A autoridade policial aponta que o montante bloqueado corresponde a recursos obtidos por meio de atividades ilícitas, notadamente o tráfico internacional de drogas e o comércio ilegal de armas, que passavam por processos de ocultação e lavagem de capital.

As diligências da PC-RR, que contaram com o apoio de peritos criminais, resultaram na apreensão de valores em moeda estrangeira (dólares) e de um veículo de luxo, modelo Porsche, que seria utilizado por um dos investigados. A operação buscou mapear a cadeia de valores que sai do crime organizado na fronteira e retorna como "investimento" em bens e empresas lícitas, técnica conhecida como "lavagem de capital" pela doutrina jurídica.

O foco central das investigações recai sobre a atuação da Tren de Aragua como fornecedora de armamentos para o Comando Vermelho, facção dominante no tráfico do Rio de Janeiro. A polícia identificou que Roraima funciona como rota estratégica de entrada e distribuição. As armas, adquiridas nos mercados negro dos Estados Unidos, Colômbia e Venezuela, ingressam pelo território roraimense, seguem para o Amazonas e, posteriormente, seguem via fluvial ou rodoviária para o Sudeste, especificamente para o Rio de Janeiro.

Delegados envolvidos no caso ressaltam a sofisticação do esquema financeiro, que utiliza empresas de fachada e contas de "laranjas" para mover volumes expressivos de dinheiro. O bloqueio preventivo de R$ 429 milhões visa garantir a eventual aplicação de penas de perdimento de bens, caso haja condenação definitiva, além de asfixiar o fluxo de caixa da facção no momento atual.

A "Operação Rota do Norte" é fruto de uma articulação entre a Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública e a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que uniram esforços para conectar os crimes financeiros aos homicídios e violência urbana provocadas pelo domínio de facções nas fronteiras. Os 34 alvos investigados respondem, nesta fase processual, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armas.

Procurada, a defesa dos investigados não foi localizada para comentar as medidas adotadas pela Justiça até o fechamento desta matéria. Os mandados de bloqueio e sequestro foram cumpridos em Boa Vista e na região metropolitana, sem registro de resistência durante as ações policiais.

Os autos do inquérito seguem tramitando em segredo de justiça na Vara Criminal da Comarca de Boa Vista. A próxima etapa prevista pela polícia é a conclusão dos laudos periciais sobre os equipamentos eletrônicos e documentos apreendidos para identificar novas contas bancárias e possíveis integrantes da hierarquia da facção que ainda operam na sombra.

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◆ Repórter · Nortícia Segurança

Diego Câmara

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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