PF e ICMBio destroem R$ 8 mi em garimpo ilegal no AM
Operação na Estação Ecológica Juami-Japurá aplicou multas de mais de R$ 1 milhão e inativou dragas e escavadeiras.
O combate ao garimpo ilegal intensificou no interior do Amazonas. Na terça-feira (26), uma operação conjunta atingiu duramente a atividade criminosa na Estação Ecológica Juami-Japurá. A ação, liderada pela Polícia Federal (PF) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), resultou na destruição de maquinários avaliados em R$ 8 milhões. Além do prejuízo material para os criminosos, os órgãos aplicaram mais de R$ 1 milhão em multas ambientais.
Infraestrutura desmantelada
A operação não foi apenas simbólica. O objetivo era quebrar a espinha dorsal logística do garimpo na região. Para isso, agentes federais e ambientais localizaram e inutilizaram uma gama de equipamentos pesados. A lista de bens destruídos inclui dragas e embarcações, fundamentais para a extração de ouro no leito dos rios, além de escavadeiras e motores potentes utilizados para remover a terra e abrir crateras na floresta.
O apoio estratégico do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) foi determinante para o sucesso da missão. O Censipam forneceu inteligência e suporte para localizar as áreas de atuação dentro da Unidade de Conservação. Ao destruir essas máquinas, o Estado corta o financiamento do crime organizado. Sem equipamentos, a extração ilegal torna-se inviável no curto prazo, estancando o sangramento de recursos naturais.
Danos irreversíveis
A escolha da Estação Ecológica Juami-Japurá como alvo da fiscalização preocupa as autoridades. Uma estação ecológica é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Segundo a legislação brasileira, são áreas onde a exploração de recursos naturais é proibida. É um refúgio para a biodiversidade, não um quintal para extração de minério.
Os danos causados pelo garimpo ilegal nesses locais vão além da paisagem destruída. A atividade provoca o desmatamento da mata ciliar, a vegetação que protege as margens dos rios. Sem essa proteção, o solo cai na água, alterando o curso dos igarapés e matando a vida aquática. Além disso, o garimpo utiliza mercúrio e outros tóxicos para separar o ouro, contaminando os cursos d'água. Essa contaminação atinge toda a cadeia alimentar, prejudicando as comunidades ribeirinhas que vivem da pesca e do consumo da água da região.
Atuação do Estado na Amazônia
A operação no Amazonas reflete um esforço maior para fazer valer a legislação ambiental em território Norte. O combate ao garimpo ilegal é uma pauta de segurança nacional e de preservação da soberania na região. A atuação integrada entre PF, ICMBio e Censipam mostra que a fiscalização precisa ser unida e técnica para enfrentar grupos criminosos que muitas vezes estão armados e operam em áreas de difícil acesso.
A aplicação de multas milionárias busca desestimular a atividade economicamente. Se o custo de operar ilegalmente supera o lucro, o investimento na destruição ambiental diminui. No entanto, a fiscalização precisa ser constante. O garimpo tende a retornar assim que a presença policial diminui, o que exige um ciclo contínuo de operações e monitoramento por satélite e inteligência.
A proteção das Unidades de Conservação é essencial para garantir o futuro da região. Enquanto houver ganho fácil na extração ilegal, a luta continua. Mas operações como a de Juami-Japurá provam que o crime ambiental não compensa.
Com base em g1-am.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
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