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PF prende sócio de agência no RS por milícia digital no Amapá

Investigação aponta desvio de R$ 25 milhões em Macapá. Suspeito foi preso em Canela com arma ilegal.

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Curadoria Nortícia
Amapá · AM
26 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 543 palavras
Policiais federais durante cumprimento de mandado de prisão
Investigação aponta desvio de R$ 25 milhões em Macapá. Suspeito foi preso em Canela com arma ilegal. · Foto: Redação Nortícia

A Polícia Federal intensificou o cerco contra a corrupção no Norte com a Operação Palanque Digital. O principal alvo é uma organização criminosa que funcionava como uma milícia digital, desviando uma quantia expressiva de recursos públicos. Somente em Macapá, o desvio estimado ultrapassa os R$ 25 milhões. A ação desta terça-feira (26) revelou a extensão do alcance do grupo, que contava com logística até mesmo fora da região Amazônica.

A operação culminou na prisão de um sócio de uma agência de publicidade em Canela, na Serra Gaúcha. O homem, que responde por posse ilegal de arma de fogo, é uma peça-chave na logística de produção de conteúdo que atendia aos interesses políticos na capital amapaense. A coordenação da PF articulou ações simultâneas em três estados para fechar o cerco, cumprindo 35 mandados de busca e apreensão.

A engrenagem do crime

A dinâmica da milícia digital, conforme aponta a investigação, é típica de esquemas de poder que sequestram verbas públicas para manutenção de hegemonia política. A Prefeitura de Macapá era utilizada como caixa-forte. O dinheiro que deveria ir para saúde, educação e infraestrutura era drenado para financiar a produção de ataques e louvações.

O alvo principal dessa "máquina" era a promoção do ex-prefeito Dr. Furlan (PSD) e de sua esposa. A estratégia envolvia não apenas difamação de adversários, mas a criação de um ambiente de intimidação online. Investigadores apontam que a quadrilha atua de forma organizada há quatro anos, permeando todo o ciclo político recente do município. O fato de ex-secretários e jornalistas figurarem na lista de alvos mostra o grau de institucionalização do crime.

Conexão interestadual

A prisão no Rio Grande do Sul trouxe um elemento importante para a investigação: o profissionalismo da lavagem de dinheiro e da produção de conteúdo. O sócio da agência preso em Canela não era um mero espectador, mas um operador ativo. Ele mora na Serra Gaúcha, mas a empresa de comunicação social que ele ajuda a gerir tem atuação direta em Macapá.

A Polícia Federal encontrou em sua posse não apenas a arma ilegal, que motivou a prisão em flagrante, mas uma vasta quantidade de aparelhos celulares e mídias externas. Esses equipamentos são vitais para a perícia rastrear o fluxo financeiro e as ordens de comando. A conexão entre o operador no Sul e a política no Amapá demonstra como essas redes criminosas não respeitam fronteiras físicas para operar.

Repercussão em Macapá

A notícia cai como uma bomba no cenário político local. Dr. Furlan já não estava no exercício do cargo, tendo sido afastado em outra operação realizada no início de março. Contudo, as novas prisões e a apreensão de provas podem complicar ainda mais a situação jurídica do ex-gestor e de seus aliados. A sociedade civil espera agora que a justiça seja rápida na devolução dos recursos desviados.

Os mandados cumpridos em Belém (PA) e Macapá (AP) indicam que a teia de ligações se estende por todo o Pará e Amapá. A expectativa é de que novas detenções ocorram nos próximos dias. A operação serviu como um aviso de que o uso de ferramentas digitais para o cometimento de crimes contra a administração pública não passará impune, nem mesmo que os operadores estejam escondidos em outras regiões do país.

Com base em g1-ap.

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