Autoridades discutem plano de segurança para Eleições 2026 no Acre
Reunião no TRE-AC definiu estratégias para transporte de urnas e monitoramento climático, com atuação da Polícia Federal em inteligência.
Representantes do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) e dos órgãos de segurança pública realizaram na manhã desta terça-feira (17) uma reunião técnica para consolidar o plano integrado de segurança das Eleições Gerais de 2026. O encontro, sediado na sede do tribunal em Rio Branco, contou com a presença de delegados da Polícia Federal, comandos da Polícia Militar e Civil, e membros do Ministério Público Eleitoral.
A pauta central da discussão envolveu a logística de transporte das urnas eletrônicas e o mapeamento de riscos climáticos que possam afetar o pleito no interior do estado. De acordo com o delegado da Polícia Federal, Celso Rogério Mochi, a estratégia para 2026 prioriza o trabalho de inteligência preventiva. O delegado ressaltou que a atuação da PF vai além do policiamento ostensivo, focando no cruzamento de dados para identificar potenciais focos de instabilidade ou fraudes. O setor de inteligência da PF já opera em conjunto com a segurança pública estadual para refinar o monitoramento de áreas sensíveis.
A atuação da Polícia Federal é respaldada pelo Código Eleitoral, que confere à corporação a responsabilidade pela segurança do material eleitoral e da fiscalização do pleito. No Acre, a PF deve concentrar esforços no controle das fronteiras estaduais e internacionais para evitar o transporte irregular de eleitores ou a circulação de material de campanha em desacordo com a legislação. O delegado Mochi informou que as barreiras policiais serão estratégicas, visando minimizar impactos no trânsito e maximizar a eficácia da fiscalização.
Um dos pontos críticos levantados durante o planejamento refere-se à geografia do Acre e ao calendário climático. O transporte de material eleitoral para municípios isolados, dependentes de vias fluviais ou terrestres precárias, exige um cronograma flexível. O plano prevê a atuação conjunta com defesa civil para monitorar o nível dos rios e o estado das estradas, garantindo que as urnas cheguem aos locais de votação e retornem ao TRE para a apuração sem impedimentos logísticos. A logística prevê o uso de aeronaves e embarcações em parceria com as polícias para alcançar as localidades de difícil acesso.
O protocolo de comunicação integrada entre o TRE e as polícias também foi ajustado. O objetivo é reduzir o tempo de resposta a ocorrências registradas nos dias de eleição. Será implementado um sistema de monitoramento em tempo real que permite às forças de segurança deslocarem equipes de forma mais ágil para zonas críticas. O mapeamento dessas zonas considera não apenas o histórico de violência, mas também a densidade populacional e a complexidade do acesso urbano. Além da segurança física, o plano aborda a segurança da informação, com a proteção dos sistemas de votação e a comunicação entre as seções eleitorais e o TRE dependendo de uma infraestrutura de dados robusta.
As Eleições 2026 estão marcadas para o dia 4 de outubro, com a possibilidade de segundo turno em 25 de outubro para municípios com mais de 200 mil eleitores. No Acre, apenas Rio Branco se enquadra neste critério. O planejamento de segurança abrange ambos os turnos, com ênfase na proteção de candidatos e militantes durante a campanha, embora o foco da reunião tenha sido a logística do dia do pleito. O cronograma de deslocamento das urnas, do TRE para as zonas e destas de volta, será mantido sob sigilo operacional até 48 horas antes do início dos trabalhos, medida padrão para evitar riscos de assaltos ou sabotagens.
Diego Câmara
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



