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Ponte inacabada há 20 anos no Rio Perdida mantém motoristas dependentes de balsa em Rio Sono

Estrutura sobre o Rio Santa Maria nunca foi finalizada, forçando desvio pela BR-245 e travessia por barca no leste do Tocantins.

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Ananda Rocha
Tocantins · AM
02 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 590 palavras
Pilares de concreto de ponte inacabada emergem acima do nível da água do rio, com vegetação ao redor.
Estrutura sobre o Rio Santa Maria nunca foi finalizada, forçando desvio pela BR-245 e travessia por · Foto: Redação Nortícia

Célio Lopes, 45 anos, desce da cabine do caminhão basculante e estica as pernas na areia da margem do Rio Santa Maria. A cada três dias, ele repete o ritual na cidade de Rio Sono, no leste do Tocantins: esperar a balsa subir a rampa, esticar o cinto de segurança e torcer para não perder mais uma hora na travessia. Se a ponte que começa a dois quilômetros dali tivesse sido concluída, Célio já estaria na BR-010 rumo ao Maranhão.

No meio do rio, porém, o que existe é um esqueleto de concreto e ferro enferrujado. A obra foi iniciada há exatos 20 anos, mas nunca saiu do papel. O apelido do local, Rio Perdida, virou piada amarga entre os autônomos que circulam por ali. "Quem está perdida aqui é a ponte", grita Célio para o celular, enquanto grava a estrutura coberta pela vegetação invasora. O vídeo repercutiu na semana passada, mas o problema é antigo conhecido de quem vive à beira da estrada.

A falta da ponte interrompe a continuidade da BR-010, uma das principais vias de escoamento da produção agrícola na divisa com o Maranhão. Sem a travessia direta, motoristas de carga e moradores são obrigados a fazer um desvio de mais de 50 quilômetros até a BR-245 para conseguir cruzar o rio. É a balsa ou o caminho longo. "Tem dia que a fila na barca tem três quilômetros. Você perde o dia, perde a carga, perde o cliente", reclama Célio, limpando o suor da testa com o dorso da mão.

Não é só o caminhoneiro que sente. Maria Aparecida da Silva, 52 anos, mora no conjunto Vila Nova, na margem oposta. Ela conta que o acesso à zona urbana de Rio Sono virou um calvário. "Meu marido teve um AVC e a ambulância demorou porque não tinha como passar direto. Teve que dar a volta toda pela BR-245, e o tempo correu contra a gente", lembra ela, sentada na varanda com vista para os pilares abandonados. Maria diz que o movimento "Pró-BR-010" já reuniu mais de 500 assinaturas pedindo a retomada da obra.

A promessa de conclusão da ponte aparece em todos os anos eleitorais, mas os pilares continuam estáticos. O último balanço oficial do DNIT, obtido pela Nortícia, aponta problemas licitatórios e falta de repasse de verbas como motivos para a paralisação desde 2008. A obra está com 60% executado, faltando a estrutura de lançamento das vigas e o asfalto de acesso. Enquanto isso, a ferrugem corrói o investimento público já feito.

Para o agricultor José Raimundo, 38 anos, o custo é direto no bolso. "Levo a produção de arroz para Imperatriz e volto. Com essa balsa, gasto mais diesel e mais tempo. Se tivesse a ponte, eu faria duas viagens por dia, agora só faço uma", calcula. Ele aponta para o leito seco do rio neste período de estiagem e ironiza: "Até o rio passa passando, só a ponte que não".

A expectativa agora é a inclusão da obra no novo Plano Plurianual (PPA) do governo federal. O movimento Pró-BR-010 marcou uma audiência pública para o próximo mês em Palmas para cobrar o DNIT. Enquanto a liberação da verba não sai, a rotina na balsa continua. O horário de funcionamento é das 6h às 18h, e o valor da tarifa para veículos leves é de R$ 30.

Reclamações sobre o estado da BR-010 e a paralisação da ponte sobre o Rio Santa Maria podem ser registradas na Ouvidoria do DNIT pelo número 166 ou pelo aplicativo "DNIT nos Trilhos", com protocolo digital para acompanhamento.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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