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Nortícia CidadesInterdição no Iaco

Ponte de R$ 36 mi em Sena Madureira é interditada por terras caídas no Acre

Estrutura de R$ 36 milhões foi fechada por risco de erosão; tráfego desviado para pontilhão metálico em Sena Madureira, no interior do Acre.

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Ananda Rocha
Acre · AM
04 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 429 palavras
Ponte de concreto interditada às margens do Rio Iaco, em Sena Madureira (AC).
Estrutura de R$ 36 milhões foi fechada por risco de erosão; tráfego desviado para pontilhão metálico · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 54 anos, agricultor, parou o caminhãozinho na margem do Rio Iaco e olhou para o buraco se abrindo perto do pilar. Ele usava a ponte Frei Paolino Baldassari todos os dias para levar a produção de Sena Madureira para a rodovia. Desde quinta-feira (4), o caminho mudou: o Corpo de Bombeiros interditou a estrutura que custou R$ 36 milhões e foi inaugurada há apenas dois anos e meio.

O motivo não foi um acidente de trânsito, mas o chão cedendo. O fenômeno de erosão, que os moradores da região chamam de "terras caídas", atingiu as margens do rio e comprometeu a fundação da ponte. O solo cedeu próximo a uma das cabeceiras, deixando a estrutura em risco de colapso, o que forçou o fechamento total da passagem de concreto.

O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) confirmou a interdição. A obra foi entregue em 2023 para ligar Sena Madureira a áreas produtoras e facilitar o escoamento da produção. O investimento público foi de R$ 36 milhões, verba que agora precisa ser justificada com uma manutenção emergencial antes do tempo previsto.

"A gente atravessa por ali com medo, mas agora pelo pontilhão metálico demora muito mais. É uma fila de carro que não acaba", contou Raimundo. O motorista de ônibus da linha local, que pediu para não ser identificado, disse que a travessia do pontilhão provoca atrasos de até 40 minutos no horário de pico. Passageiros reclamam da trepidação e da estreiteza da passagem provisória, que não suporta dois veículos largos ao mesmo tempo.

Em nota oficial, o Deracre informou que a vistoria técnica foi feita no dia 28 de maio, após denúncias de uma fenda na estrutura. O órgão notificou a Construtora Cidade Ltda., empresa responsável pela execução da obra, para apresentar um plano de recuperação e análise das medidas a serem adotadas. A construtora tem prazo para responder, mas não há previsão de quando a ponte vai reabrir para o trânsito normal.

O que chama atenção é a rapidez do desgaste. Na última intervenção executada no local, ainda em 2025, técnicos não haviam identificado rachaduras ou comprometimento estrutural. Moradores da região afirmam que as chuvas intensas dos últimos meses elevaram o nível do Rio Iaco, acelerando o processo de erosão nas margens onde foram fincados os pilares da ponte.

Enquanto a ponte não libera, o fluxo segue exclusivamente pelo pontilhão metálico, que sinaliza lentidade. Motoristas que precisam de informações sobre o tráfego na BR-317 e acessos no interior do Acre devem ligar para a central do Deracre no telefone (68) 3223-4000.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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