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Nortícia CulturaContagem Regressiva

Programação de pré-festival de Parintins aquece Manaus com ensaios e feijoada

Calendário oficial traz feijoadas, currais e encontros de torcida em Manaus e na ilha antes dos dias 26, 27 e 28 de junho no Bumbódromo.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
04 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 572 palavras
Torcedores de boi-bumbá vestidos com camisas oficiais durante feijoada em centro de convenções em Manaus.
Calendário oficial traz feijoadas, currais e encontros de torcida em Manaus e na ilha antes dos dias · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de feijoada começa a subir pelo Centro de Convenções Vasco Vasques antes mesmo do primeiro feijão quebrar na panela. É o aroma de antecipação, de carne de porco defumada encontrando o suor da torcida que chega de camisa nova. Em Manaus, a cidade vira uma extensão da ilha semanas antes do barco zarpar. A partir desta sexta (5), o junho parintinense não espera mais o dia 26 para começar; ele se espalha pelos currais, bares e salões de convenção como um rastro de tinta azul e encarnada manchando a cinza da capital.

A programação oficial do 59º Festival de Parintins saiu nesta semana, e é nesses eventos preparatórios que o Boi ganha músculo. Não é só ensaio de coreografia, é ensaio de fé. A torcida do Garantido encerra o ciclo de preparação na capital com o Último Curral, nesta sexta, no Sambódromo de Manaus. É o teste final de voz, o momento em que o corredor do Bumbódromo manauara ensurdece para medir a força do pulmão que vai ecoar no rio. O Curral é o terreiro sagrado onde a galera canta o brinquedo sem a luz da tv, pura energia bruta.

No domingo (6), a vez é da comida de santo e de povo. O Movimento Marujada do Caprichoso promove sua tradicional Feijoada, a partir das 12h. Aqui não se brinca de ser elegante; a farinha vooa, a cerveja desce gelada e o assunto é só a sinopse do ano. A Marujada é a espinha dorsal da torcida azul, e nesse almoço o que está em mesa não é apenas feijão preto, mas a estratégia de guerra. Duas semanas depois, em 13 de junho, é a vez do Movimento Amigos do Garantido (MAG) ocupar o mesmo espaço para a sua feijoada. O Centro de Convenções Vasco Vasques então divide o território: primeiro o azul do marujá, depois o vermelho do sangue ferver.

Mas o boi é também prosa e encontro. Na quinta (14), às 17h, o Bar do Boizinho abre as portas para a turma do Caprichoso. É o evento de intimidade, onde o ritmo do curimba fica mais perto do ouvido e a dança acontece fora dos eixos oficiais da arena. É nesses espaços informais que a festa de Parintins mostra que ela é resistência: acontece na varanda de casa, no clube da esquina, na feira do domingo, multiplicada por milhares de corações antes de pisar no gramado sagrado da ilha.

A Ladainha, que anuncia a chegada do boi na mata, e os Bois de Rua, que levam a magia para as comunidades, são a alma desses dias que antecedem a noite oficial. Enquanto a organização ajusta os últimos parafusos nas alegorias do Bumbódromo, a cidade já está em transe. A camisa encarnada e a azulada são tiradas do armário com cuidado, passadas com o mesmo zelo de quem prepara uma roupa de domingo.

A ilha chama, e Manaus responde. O calendário pode sofrer alterações, como avisa a organização, mas a vontade de brincar não muda. O maior espetáculo a céu aberto do mundo depende dessa respiração ofegante que começa aqui.

O 59º Festival de Parintins acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, mas a primeira viagem é esta semana. O Último Curral do Garantido é nesta sexta, às 19h, no Sambódromo de Manaus. No domingo, a feijoada começa ao meio-dia. Pega a camisa, escolhe o lado e vem sentir o cheiro do Boi começar a queimar.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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