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Nortícia CidadesEstiagem no Acre

Nível do Rio Acre deve cair e atingir fase crítica em agosto e setembro em Rio Branco

Chuvas abaixo da média e previsão de seca para os próximos meses devem reduzir o leito do manancial na capital, alerta Defesa Civil.

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Ananda Rocha
Acre · AM
01 de jun. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 515 palavras
Leito do Rio Acre com baixo nível de água exposto próximo ao calçadão da Federação, em Rio Branco.
Chuvas abaixo da média e previsão de seca para os próximos meses devem reduzir o leito do manancial · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 58 anos, empurra o pequeno barco com força toda pela lama que sobrou na beira do Rio Acre, perto do calçadão da Federação, no centro de Rio Branco. Há três semanas, a água parou de bater na mureta onde ele costumava amarrar o motor. "Tirar o barro do casco agora é trabalho de gigante", diz ele, limpando o suor da testa com a manga da camisa xadrez.

O que o Raimundo vê do cais é o efeito visível de uma estiagem que promete apertar o cerco na capital acreana nos próximos meses. A chuva sumiu, e o manancial respondeu em vazante acelerada. Na manhã desta segunda-feira (1º), a régua da Defesa Civil Municipal marcou 3,23 metros. Parece água suficiente para quem vê de longe, mas o dado esconde a tendência de fundo do poço.

O mês de maio fechou com um acumulado de chuvas de apenas 72,8 milímetros — bem abaixo dos 104 milímetros que a história meteorológica do Acre pede para o período. E a previsão para junho não traz alento: a expectativa da meteorologia é de chover ainda menos, algo em torno de 39,4 milímetros. Com esse regime, o rio tende a seguir descendo.

No bairro do Conjunto Esperança, que fica na outra margem, a dona de casa Luzinete da Silva, 45 anos, já prepara os tambores de reserva no quintal. "O ano passado a gente passou aperto na hora de lavar roupa e dar descarga. Se o rio descer mais que três metros, a água encanada começa a faltar e o barco não consegue chegar no trapiche", conta ela, que trabalha como diarista no Centro e depende do transporte fluvial para visitar a família no interior.

A preocupação de Luzinete e Raimundo tem fundamento técnico confirmado pelo monitoramento da prefeitura. O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, é direto ao explicar o cenário que se desenha para o segundo semestre de 2026. A vazante é contínua e deve seguir até o meio do ano.

"O rio deve continuar descendo. Estamos um pouco acima dos três metros, mas a tendência é baixar de três, depois de dois metros. Podemos chegar a níveis muito críticos principalmente em agosto e setembro, que são os meses mais complicados em relação ao nível do rio", afirmou Falcão.

A redução gradual das chuvas muda o comportamento do rio, mas também impacta o dia a dia urbano: mais poeira nas avenidas próximas à orla, calor excessivo e o risco rasteiro de problemas no abastecimento em áreas ribeirinhas que dependem do leito para locomoção ou captação. Rio Branco oscila entre cheias e secas extremas com uma frequência que tem deixado o acreano em estado de alerta constante, preso entre a lama da enchente e o pó da estiagem.

Enquanto o céu não abre e o rio continua baixando, o monitoramento segue no chão. A Defesa Civil Municipal acompanha a cota diariamente. Moradores que notam alterações bruscas no nível do rio ou problemas decorrentes da seca nas margens podem acionar a guarda municipal pelo telefone 156 ou a Defesa Civil pelo 199, ligação gratuita.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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