Rio Branco atinge nível de alerta em Boa Vista com cheia forte
Rio subiu 267 cm em uma semana na capital; Defesa Civil monitora bairros ribeirinhos e Caracaraí também entra em atenção.
Dona Francisca Lopes, 56 anos, mora na Rua 9, no bairro Asa Branca, zona Oeste de Boa Vista. Ela acorda às 5h desta segunda-feira (1º) para verificar o quintal. A água do igarapé que corta o fundo do lote já lambera o alicerce da casa de alvenaria onde cria três netos.
O motivo da preocupação dela é o mesmo que mobiliza a Defesa Civil de Roraima: o Rio Branco atingiu na manhã desta segunda o nível de alerta para inundação na capital. Segundo o boletim diário do Serviço Geológico do Brasil (SGB), as águas chegaram à marca de 814 centímetros.
É um salto rápido e preocupante. Na última semana, o volume do rio subiu 267 centímetros em Boa Vista. Em Caracaraí, no Sul do estado, a situação também exige olhos atentos, com o nível atingindo 848 cm às 11h15 e entrando na faixa de atenção. Todas as estações monitoradas na bacia do Rio Branco registram processo de cheia devido às chuvas constantes.
“A gente sabe que é época de chuva, mas esse ano foi de uma vez só. O quintal virou lagoa num piscar de olhos e a água está ficando barrenta, cheia de folhas”, conta Francisca, enquanto varre a água que tenta invadir a área de serviço. Ela diz que a vizinhança já combinou um mutirão para limpar as galerias caso o nível continue subindo.
No Bairro Mecejana, zona Norte, a cena se repete. O agricultor Raimundo Silva, 62 anos, vive às margens do rio e já começou a transportar o gado para áreas mais altas. “Em 2015 a gente perdeu quase tudo. Hoje a gente já conhece o rio. Quando ele começa a virar pro lado do barranco, a gente corre”, diz ele, apontando para a linha d'água que já avança sobre a pista da rua principal de acesso à comunidade.
A Prefeitura de Boa Vista ativou o Centro de Operações de Emergências (COE) municipal. A nota oficial da pasta informa que equipes do Samu e da Guarda Municipal fazem patrulhamento diário nas áreas de maior risco, especialmente nos bairros Igbaré, São Francisco e Passarão, historicamente os mais afetados pela cheia. O monitoramento foca na estabilidade das pontes e no acesso de viaturas às áreas ribeirinhas.
Roraima enfrenta desde o início de abril um ciclo intenso de chuvas. O governo estadual decretou situação de emergência em sete dos 15 municípios. O solo está saturado e os rios da bacia do Branco, que abastece a capital e o sul, respondem rapidamente a cada nova precipitação.
Para quem precisa de ajuda ou precisa informar sobre alagamentos e desabrigados, a Defesa Civil de Roraima funciona 24 horas pelo número 193. O registro de ocorrência também pode ser feito pelo aplicativo Proteja-se ou na sede da secretaria, na Avenida Capitão Ene Garcez.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



