ed. #023
nortıcia
nortícia · cidades · roraima
Nortícia CidadesChuvas em Roraima

Rorainópolis decretou emergência e vicinais ficam intransitáveis com chuvas

Enxurradas isolaram famílias no Baixo Rio Branco; prefeitura aciona Defesa Civil para atender desabrigados.

a
Ananda Rocha
Roraima · AM
29 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 623 palavras
Estrada vicinal de terra alagada por enxurrada em zona rural de Rorainópolis.
Enxurradas isolaram famílias no Baixo Rio Branco; prefeitura aciona Defesa Civil para atender desabr · Foto: Redação Nortícia

Dona Maria de Fátima, 52 anos, tira a água que entrou na sala de casa com um balde plástico azul, na Vila Catarina, zona rural de Rorainópolis. Desde quinta-feira à noite, o igarapé que passa nos fundos do quintal subiu um metro e meio. Ela não dormiu. "A água veio com força, levou o galinheiro todo e quase leva a cozinha. O barulho era assustador, parecia trem passando", conta ela, enquanto ajeita a roupa de cama no varal improvisado na calçada.

A chuva que castiga o Sul de Roraima desde o fim de abril transformou o cenário rural em Rorainópolis. O município decretou situação de emergência na sexta-feira (29). O prefeito Pinto do Equador (Republicanos) assinou o decreto com validade inicial de 90 dias. O documento é baseado em um parecer técnico da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil, que percorreu as áreas atingidas na manhã de sexta.

O relatório oficial aponta chuvas acima da média histórica para o período. As enxurradas de alta velocidade destruíram dezenas de vicinais. Quem mora no Baixo Rio Branco e nos distritos está praticamente isolado. O acesso à sede do município ficou comprometido em trechos importantes da BR-174 e em estradas vicinais não pavimentadas que ligam as comunidades.

O agricultor Raimundo Nonato, 38, tenta desenterrar seu caminhão basculante que atolou na lama da vicinal que liga a fazenda São José à cidade. Ele tinha 50 sacas de milho prontas para entregar no mercado municipal. "Ficaram lá no paiol. O caminhão não sai e nem o trator passa por esse buraco todo. Vamos perder essa safra se não descer esse nível de água. Estou há três dias sem conseguir sair", lamenta, apontando para a via coberta por água barrenta.

O decreto municipal cita o transbordamento de rios e igarapés como causa principal dos estragos. Infraestruturas públicas foram danificadas e famílias precisaram sair de casa às pressas. A Defesa Civil registrou o deslocamento de famílias para locais seguros, como escolas e ginásios, mas o número exato de desabrigados ainda está sendo consolidado pela equipe técnica.

Na zona urbana, o caos também tomou conta. Ruas do Centro e do bairro Primavera ficaram alagadas na tarde de quinta. O trânsito parou na Avenida Capitão Ene Garcez durante a tempestade. Carros enguiçaram e moradores precisaram de ajuda de guinchos para sair da água. Uma ponte de concreto na saída para Caroebe foi interditada pela Secretaria de Obras após os técnicos notarem rachaduras na estrutura causadas pela força da correnteza.

O agricultor José Albino, 65, que mora próximo ao igarapé Maracá, diz que nunca viu uma chuva tão forte em 40 anos de vida no município. "A água subiu rápido. Tivemos que tirar o geladeira e o fogão na base da correria. Agora estamos morando num quarto de emprestado na casa da filha", relata.

A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil monitora os níveis dos rios 24 horas por dia. O alerta é para novas chuvas nos próximos dias, o que pode agravar o quadro das estradas de terra. O foco do governo municipal agora é restabelecer o acesso às áreas rurais e garantir abrigo e alimentação a quem perdeu o teto. A prefeitura acionou o governo do estado para pedir reforço na ajuda humanitária e máquinas pesadas para reparar as vicinais.

A situação de emergência permite a abertura de crédito extraordinário para compras emergenciais. O município pode comprar alimentos, colchões, medicamentos e contratar serviços de limpeza e reparo. O prefeito avisou que a prioridade é salvar vidas e recuperar o acesso às comunidades.

Quem precisa de ajuda em Rorainópolis pode ligar para a Defesa Civil municipal no telefone (95) 3352-1204 ou comparecer à sede da Coordenadoria, próxima ao Mercado Municipal. O número de emergência do Corpo de Bombeiros para socorro rápido é o 193.

a
◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cidades

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cidades no Norte. Sem agenda, sem partido.