São João de Marabá homenageia mestres Cambraia e Palmica com brincadeira na Z-30
De 19 a 28 de junho, a Arena Z-30 recebe quadrilhas, bois-bumbás e o Arrastão Cultural em homenagem aos guardiões da tradição marabaense.
O som do zabumba do Boi Bumbá Cambraia faz o peito vibrar antes mesmo de a fita vermelha ser cortada. Na Arena Z-30, em Marabá, o pó levanta com os primeiros passos da brincadeira, misturando-se ao cheiro de milho verde assado e quentão que começa a tomar conta do ar no sudeste do Pará. É o sinal de que o São João chegou, e com ele a memória viva de um povo que festeja para não esquecer.
É o 39º Festejo Junino de Marabá, que de 19 a 28 de junho transforma a cidade na capital da alegria e da tradição popular do interior do estado. Mais do que uma festa de santo, é o momento onde a memória dos mestres encontra o vigor da nova geração em um palco onde o fogo é de verdade e a roupa tem brilho de glória.
Este ano, a homenagem vai direto ao coração da brincadeira com o tema "Cambraia e Palmica: Mestres da Cultura Tradicional Marabaense". Seu Cambraia, um dos guardiões mais antigos do boi-bumbá da cidade, e Palmica, referência incontestável nos ritmos locais, são as almas que dão o tom à programação. A dupla representa a resistência de uma cultura que se recusa a ficar estática no tempo, renovando a festa a cada arrastão.
Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e pela Liga Cultural de Marabá (Licmab), o evento consolidou-se como uma das maiores manifestações folclóricas do município. Não é à toa que os ensaios começam meses antes, unindo famílias inteiras em torno da costura das fantasias, do afiado das facas para o bolo de rolo e do ensaio dos passos de quadrilha que desafiam a gravidade.
Para a historiadora marabaense Helena Rocha, o festejo é um "arquivo vivo da cidade". "É no São João que a gente vê a verdadeira identidade de Marabá, misturando o migrante nordestino que veio na Caravana com o caboclo da Amazônia no ritmo do xote e do carimbó", analisa ela, que estuda as manifestações populares há duas décadas e vê na festa uma forma de resistência cultural.
A programação promete agito. Na sexta-feira (19), o Arrastão Cultural das Juninas e Bois-Bumbás sai da Praça Duque de Caxias rumo à Arena Junina, inaugurando as noites de fogueira. A quadrilha da APAE de Marabá e a cantora Raytha Solaires marcam presença na abertura, mas a disputa quente fica por conta dos concursos oficiais, que trazem coreografias elaboradas e enredos que conversam com os problemas e as glórias do povo do Tocantins.
A Arena Z-30 será o palco principal. Com entrada franca para a maioria das atrações, o espaço recebe quem vai para brincar e quem vai para ver a brincadeira dos outros. O tradicional concurso de comida junina também promete agradar o paladar, com pratos que vão além do bolo de milho e do pé de moleque: há quem jure que o vatapá de festa junina no interior tem gosto diferente, mais amarelo e com pimenta-de-cheiro.
O encerramento, no dia 28, promete uma queima de fogos que iluminará o rio Tocantins. Mas o verdadeiro fogo está nos pés dos brincantes que, mesmo sob o sol escaldante de Marabá, não cansam de mostrar que a cultura do Norte tem cor, som e muito sabor. O 39º Festejo é de graça e começa às 19h30, na Avenida São Francisco, s/n. Vai ter arrasta-pé, vai ter chapéu de palha e vai saudar os mestres.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



