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Serralheiro morre ao cair de telhado de igreja em zona rural de Cruzeiro do Sul

Vítima sofreu descarga elétrica em Vila Lagoinha e foi levada por moradores ao Hospital do Juruá.

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Ananda Rocha
Acre · AM
09 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 567 palavras
Estrutura metálica de igreja em área rural de Cruzeiro do Sul (AC).
Vítima sofreu descarga elétrica em Vila Lagoinha e foi levada por moradores ao Hospital do Juruá. · Foto: Redação Nortícia

Elenilton Ferreira Moreira subiu os últimos metros da estrutura metálica na igreja da Vila Lagoinha, zona rural de Cruzeiro do Sul. Era um serviço de serralheiro, aquele que ele sabia fazer de olhos fechados: montar a base que ia sustentar o telhado novo. Mas nesta terça-feira (9), o toque no ferro foi fatal. Ele gritou avisando do choque elétrico e, em segundos, despencou de uma altura de seis metros. A queda bateu duro no chão batido do terreiro.

A Vila Lagoinha fica no entorno da cidade, um lugar onde o movimento é conhecido de todos. O barulho da obra chamou atenção, mas o grito de desespero é que parou o serviço. Um colega que trabalhava ao lado viu a cena. Foi rápido demais para qualquer reação que não fosse o susto. Elenilton perdeu os sentidos ainda no ar ou no impacto. A estrutura estava energizada, e a segurança que deveria haver num trabalho de altura não estava lá para segurar ele.

Na zona rural, o Samu às vezes demora ou não é a primeira opção. Foi o que aconteceu. Os fiéis e trabalhadores que estavam no local não esperaram. Pegaram o corpo de Elenilton e correram para o carro. A festa de inauguração do telhado virou uma corrida contra o tempo até o Hospital do Juruá, a referência de saúde da região do Alto Acre. A entrada dele na unidade de saúde foi desacordada, sem respiração espontânea. A equipe médica tentou manobras de reanimação, mas a parada cardíaca provocada pelo choque somada ao trauma da queda foi insuportável para o organismo dele.

O boletim da Polícia Militar confirmou o óbito e as circunstâncias: queda de seis metros durante montagem metálica e descarga elétrica. A PM registra que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não foi acionado oficialmente para aquela ocorrência inicial. O transporte foi particular, feito pelas próprias mãos que tentavam salvar uma vida. No hospital, o óbito foi constatado, e o corpo encaminhado para o IML.

Quem mora no interior do Acre sabe que a obra de igreja e escola é quase sempre feita na comunidade, com gente da roça e profissionais locais. O serralheiro é peça chave nessas construções. Mas a pressa para levantar o templo ou o barracão muitas vezes atropela as normas de segurança da NR-35, que exige cintos, isolamento da rede elétrica e planejamento. A energia elétrica na área rural é traiçoeira, com fios antigos passando perto das construções sem a devida sinalização. Um descuido, um toque mal calculado na estrutura que encosta na fiação, e acontece o tragedy.

A morte de Elenilton deixa um vazio na Vila Lagoinha e um aviso silencioso para quem está com a chave de fenda na mão hoje em dia. Trabalho em altura não é lugar para coragem, é lugar para equipamento. Energia elétrica não combina com metal sem isolamento. Enquanto a família lida com o luto em Cruzeiro do Sul, a dúvida que fica é se o desligamento da rede naquele poste teria sido o suficiente para ele estar vivo no fim do dia.

Denúncias sobre condições inseguras de trabalho ou falta de EPI podem ser feitas à Superintendência Regional do Trabalho no Acre, pelo telefone (68) 3223-3823. Em caso de acidentes graves, a recomendação é sempre acionar o Samu pelo número 192, anotando o local exato com pontos de referência, como a igreja da Vila Lagoinha, para agilizar o atendimento de emergência.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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