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Agenda une lançamento do Samba Manaus e prévia de Parintins

Manaus e interior vibram com o batuque das escolas de samba e o ensaio do Boi em São Paulo de Olivença.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
29 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 572 palavras
Show de luzes ilumina o Sambódromo de Manaus durante ensaio de escola de samba.
Manaus e interior vibram com o batuque das escolas de samba e o ensaio do Boi em São Paulo de Oliven · Foto: Redação Nortícia

O tilintar dos maracás e o cheiro de melaço de cana queimada já tomam conta do ar de São Paulo de Olivença. No fim de semana, o Amazonas não escolhe entre o batuque pesado do asfalto e o rebatedor nervoso da floresta: quer os dois, misturados no mesmo caldeirão. É a hora em que o samba da capital se encontra com o prelúdio místico do Boi, e o calor da cidade aumenta junto com o volume da caixa.

Manaus acende a luz do Sambódromo para consolidar uma promessa antiga: o lançamento oficial do Samba Manaus. Não é apenas um evento de calendário, é o passo de afirmação de uma identidade que pede palco fixo e estrutura. As escolas de samba da cidade, aquelas que fazem a Compensa tremer nas madrugadas de carnaval, unem forças para apresentar a entidade que vai organizar a festa de Momo na capital. O samba aqui não é enfeite; tem peso de cintura, tem o frio na barriga do carnavalesco e a nostalgia do desfile que passa rápido demais.

Enquanto a capital se organiza no concreto, o interior afina os instrumentos de corda e percussão com uma dedicação quase religiosa. Em São Paulo de Olivença, a sensação na cidade é a de que o Bumbódromo adiantou a data. O Planeta Boi leva ao palco uma super prévia do que se verá em junho nas noites mágicas de Parintins. Não é um ensaio qualquer; é o respiro antes da imersão total na guerra estética. Os brincantes, com seus bordados de tucum e as penas coloridas que brilham ao luar, já ensaiam o cateretê e o toque original que vão hipnotizar a galera nas arquibancadas, misturando o sagrado do ritual com a alegria da festa.

A programação quebra a barreira do tradicional ao trazer Simone Mendes para dividir o palco com essa cultura enraizada. A voz da cantora, conhecida nacionalmente pelas baladas românticas e pelo forró energético, encontra o ritmo da festa junina interiorana, criando uma ponte sonora inusitada. É a prova de que a cultura amazonana não está isolada no mapa; ela dialoga, absorve influências de fora e devolve o som com um sotaque todo próprio, sem perder a raiz.

Quem prefere o clima controlado e o silêncio respeitoso, a cidade oferece o contraponto necessário para equilíbrio. O Teatro Amazonas, com sua cúpula envernizada e o chão de cerâmica de Lübeck importada, recebe a ópera, levando a sofisticação europeia para o meio da selva de concreto. Já as salas escuras dos cinemas exibem títulos como "Natal Amargo" e "Backrooms: Um Não-Lugar", mostrando que a produção audiovisual contemporânea também ganha espaço na rotina do manauara ávido por narrativas.

Mas é na rua, no suor que escorre pelo rosto e na farofa que suja a mão, que o fim de semana grita mais alto. O Samba Manaus promete agitos com grandes atrações nacionais, mas é a comunidade local que dá o tom real. É a feirante vendendo água de coco gelada na entrada do evento, é o diretor de bateria olhando o relógio de pulso nervoso, é a galera torcendo para o sol não castigar demais a pintura corporal. É o povo fazendo a festa acontecer, sem depender apenas de holofotes.

O lançamento do Samba Manaus acontece neste sábado, às 19h, no Sambódromo. O show com Planeta Boi e Simone Mendes é em São Paulo de Olivença, no domingo. Chegue cedo, o Amazonas começa a tocar antes do sol se pôr.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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