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Nortícia CulturaFesta no Juruá

Mâncio Lima celebra 49 anos com carnaval fora de época e forró na Alameda

Cidade no Vale do Juruá encerra festejos com baile animado por Geinison Rocha e show de Kiko Chicabana na Alameda das Águas.

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Karina Pinheiro
Acre · AM
30 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 609 palavras
Palco iluminado na Alameda das Águas durante festa de aniversário de Mâncio Lima, no Acre.
Cidade no Vale do Juruá encerra festejos com baile animado por Geinison Rocha e show de Kiko Chicaba · Foto: Redação Nortícia

O baque do zabumba parece sacudir as águas do Juruá antes de bater no peito de quem está na margem. Na Alameda das Águas, cartão-postal de Mâncio Lima, o asfalto ainda está novinho, entregue ontem pela prefeitura, mas já promete rugas de alegria. São 15h de um sábado sufocante no Vale do Juruá, o ar úmido pesa, mas ninguém se importa. O cheiro de churrasco de tucunaré na brasa se mistura com o perfume do talco e o hálito de cerveja gelada. A cidade faz 49 anos e resolveu celebrar com o que faz de melhor: o pisadão.

Mâncio Lima, encravada no extremo oeste do Acre, na fronteira com o Peru, encerra neste sábado (30) as comemorações de sua emancipação política. Não é apenas uma data burocrática no calendário da prefeitura; é o dia em que a cidade mais ocidental do Brasil olha para si mesma e faz festa. A programação que dura dez dias — passando por torneios de futebol, missas e ações comunitárias — culmina neste espetáculo de popularidade.

Geinison Rocha, 38 anos, sobe ao palco com a sanfona colada no peito e o sorriso de quem conhece a estrada. Ele é o mestre de cerimônias da tarde. Sua banda traz o forró pesado, o arrasta-pé que faz o casal mais velho sair da cadeira plástica e o jovem largar o celular. O repertório é uma viagem pelos clássicos que embalam os forrós de quintal no interior do Acre. O som da zabumba é o coração da festa, batendo mais forte que o sol que ainda insiste no céu.

A escolha da Alameda das Águas não é por acaso. O espaço, reformado e entregue na véspera, é o novo orgulho da cidade. É lá que o morador faz o footing, onde os namorados se encontram no fim da tarde e onde, agora, a história está sendo escrita. O piso novo range suavemente sob a dança, um som de chão novo sendo ocupado pela memória antiga do povo. Da Alameda, avista-se o traçado do rio Juruá, largo e imponente, que silencia para ouvir a cidade festejar.

Para Seu Raimundo Nonato, 72 anos, comerciante do centro e morador desde a época da emancipação, o aniversário é sagrado. Ele lembra quando a rua era de terra e a banda tocava de instrumental. "Hoje tem tudo, de tudo, mas a alegria do povo do Juruá é a mesma", diz, tomando um copo de caldo de cana. A festa, para ele, é a prova de resistência de um município que fica longe da capital, Rio Branco, mas que tem identidade própria.

À medida que a noite cai e o calor baixa, a expectativa muda. O foco se volta para as 22h, hora marcada para Kiko Chicabana. O cantor, que faz sucesso no Norte e Nordeste com seu forró melódico, desce o rio para tocar no cartão-postal acreano. A troca de ritmo é sutil: o pé-de-serra dá lugar às baladas românticas que fazem a multidão acender os celulares. É o momento em que a festa vira ponto de encontro, o abraço se prolonga e a cidade para de ser fronteiriça para ser apenas o lugar onde se ama o forró.

A programação não tem pressa. Vai até às 6h da manhã de domingo (31), testemunhando o amanhecer sobre o Juruá. É uma madrugada de resistência cultural, onde o som da sanfona e do teclado compete com o canto dos pássaros que despertam na mata vizinha.

Quem estiver em Mâncio Lima ou por perto, não pode perder. A festa começa na Alameda das Águas. Entrada franca e o mandato é o de sempre: calçado confortável e disposição para o abraço. A cidade está esperando.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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