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Ao amanhecer na Ponta Negra, 70 mil fiéis transformam praia de Manaus em altar

Primeira edição do evento cristão ocupou areia e gramado com oração e música até o nascer do sol.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
30 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 490 palavras
Multidão ocupa a areia da Praia da Ponta Negra ao amanhecer, com luzes de palco ao fundo.
Primeira edição do evento cristão ocupou areia e gramado com oração e música até o nascer do sol. · Foto: Redação Nortícia

O sol ainda estava a dormir lá no meio da floresta quando as primeiras vozes começaram a subir. Às 4 da manhã de um sábado, a areia escura e úmida da Ponta Negra já pisoteada por milhares de pés descalços e de tênis branco não era mais apenas um cartão postal de Manaus; era um altar a céu aberto. Cerca de 70 mil pessoas, segundo a Guarda Municipal, transformaram o gramado e a faixa de areia do complexo turístico na Zona Oeste em um coro único. O ar carregava o cheiro de rio e o som de tambores misturado à expectativa pelo dia que ia nascer.

Foi a primeira edição do Amanhecer Manaus, um evento que pegou a vocação religiosa da cidade e levou para a beira do Rio Negro, longe dos bancos de igreja e do ar condicionado forte. Ali, sentados em cadeiras de plástico, em esteiras ou diretamente na areia, famílias, caravanas de jovens e idosos esperavam o raiar do dia rezando. Um letreiro gigante com a palavra "Jesus", iluminado em amarelo contra a escuridão da madrugada, balançava ao vento como um farol.

A industriária Lucely Silva chegou vindo direto do turno de trabalho. "Soube pelo Instagram e fiquei super feliz com esse novo evento em Manaus. Estou achando o máximo", contou ela, ainda com o rosto marcado pelo cansaço da noite, mas os olhos atentos ao palco montado à beira da água. Para ela, a praia virou o lugar de ouvir Deus de um jeito novo, sem paredes limitando o som. "Deus já tem falado conosco", disse, enquanto o céu começava a mudar de um preto profundo para um tom lilás.

O ponto alto não foi o som das caixas de som, potentes o suficiente para competir com o vento do Amazonas, mas o momento em que o sol realmente apareceu. Quando a primeira luz dourada perfurou o horizonte e bateu na água escura do rio, a música parou por um segundo e foi substituída por um silêncio breve, seguido de um aplauso coletivo. Parecia que todos ali, 70 mil almas, seguravam a respiração para ver o astro rei subir no equador.

Não é todo dia que a Ponta Negra, palco usual de passeios de turista e vendas de artesanato, vira um santuário ao ar livre. Mas Manaus tem essa facility: a cidade é feita de encontros. O Amanhecer mostrou que a cultura religiosa no Norte não está presa só aos templos; ela transborda para o espaço público, ocupa a calçada, a praça e, agora, a praia. Fim de madrugada pegando o jacaré, como se diz aqui, mas em um sentido literal e espiritual.

Quem perdeu a primeira edição, a Ponta Negra continua de portas abertas. O complexo turístico, localizado na Avenida Coronel Teófilo, é o melhor lugar da cidade para ver o sol nascer, com ou sem palco montado. A dica é chegar cedo, antes do calor apertar, e deixar o Rio Negro fazer o resto.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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