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Nortícia CulturaVerão no Araguaia

Temporada da Praia da Gaivota confirma shows com Alexandre Pires e Léo Santana

Praia de Araguaçema anuncia agenda de julho e agosto com pagode, axé e piseiro nas margens do lago.

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Karina Pinheiro
Tocantins · AM
10 de jun. de 2026
publicado
4 min
de leitura · 789 palavras
Pôr do sol na Praia da Gaivota, com palanque montado e areia branca ao fundo.
Praia de Araguaçema anuncia agenda de julho e agosto com pagode, axé e piseiro nas margens do lago. · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de peixe na brasa chega antes do som do caixão. Na areia branca e fina que se estende por mais de três quilômetros, o vento quente que vem do lago da Usina Hidrelétrica de Estreito já anuncia o rebuliço. É na Praia da Gaivota, em Araguaçema, que o "Mar do Tocantins" deixa de ser apenas um slogan de outdoor para virar palco aberto. Ainda é junho, mas o clima de verão — o de verdade, que faz o asfalto brilhar e a cerveja gelar mais rápido — já tomou conta das estradas que levam ao Sul do estado. É lá, entre o barulho das ondas artificiais e o burburinho dos quiosques, que o axé e o pagode prometem fazer a orla vibrar por um mês inteiro.

A temporada de praias do Tocantins é um rito de passagem. Não é apenas férias; é a retomada de uma identidade fluvial que pulsa forte em julho. A Prefeitura de Araguaçema confirmou o que o rumor na beira do rio já dizia: a programação de 2026 vem pesada para disputar a atenção (e o suor) dos foliões. De 4 de julho a 3 de agosto, a cidade de pouco mais de oito mil habitantes se transforma, abrigando multidões que buscam na água morna do Araguaia o refúgio que o calor seco do Planalto Central não oferece. É um êxodo temporário, uma migração motivada pela música e pela paisagem.

A principal cartada para atrair essa multidão tem nome e sobrenome: Alexandre Pires. O ex-Soda Solidão desembarca na Gaivota no dia 11 de julho. Para a plateia que lota as barracas de camisa de linho e chinelo de dedo, Alexandre não é apenas um cantor; ele é a trilha sonora de dezenas de verões, de namoros iniciados e terminados no balanço das lanchas. Seu show promete resgatar a "era dos pagodes", aquele repertório que todo mundo, do "tiozão" ao jovem universitário, canta sem ler a letra. É a nostálgica garantia de aplausos, mesmo antes da primeira nota.

Mas a festa não para na melodia romântica. Para levantar o pó e acelerar os corações, a programação traz Léo Santana no dia 26. O baiano, rei do "piseiro" e das festas de interior, é o tipo de atração que dispensa apresentação. Quando ele sobe no palco, o chão de areia treme e a fronteira entre palco e plateia se dissolve. Antes dele, no dia 18, Iasmin Sensação traz o axé feminino com toda a sua energia, seguida por Henry Freitas, no dia 19, e Eric Land, que divide os holofotes no dia 25. É uma maratona de ritmos nordestinos que encontraram no Cerrado o seu novo quintal.

O que faz da Gaivota um destino único não são apenas os shows, mas a geografia do lugar. O lago, formado pelo represamento do rio Araguaia, criou um ecossistema de lazer que redefiniu a economia regional. As águas mornas e convidativas contrastam com o verde cerrado ao redor, criando cenários que parecem colagens surrealistas. É nesse ambiente que artistas locais também ganham espaço, abrindo os shows para os grandes nomes e provando que a musicalidade do Tocantins vai muito além da viola de ouro que se ouve nas cidades do norte do estado.

Leonette Mesquita, secretária municipal de Meio Ambiente e Turismo, sabe que a responsabilidade de manter esse "verão eterno" é grande. Ela conta que a curadoria foi pensada como um cardápio variado, para não cansar o paladar do público. "Queremos que a Praia da Gaivota seja referência nacional, e para isso a programação tem que ser diversa", diz ela, que acompanha de perto a montagem das tendas e a limpeza da areia. Além dos shows, competições esportivas e ações culturais garantem que haja movimento do nascer ao pôr do sol.

A logística para receber tanta gente é um desafio à parte. A TO-080, estrada que dá acesso à cidade, costuma ficar congestionada nos dias de evento principal, transformando o percurso de balões e lanternas em uma fila de carros cheia de antecipação. Os hotéis e pousadas, meses antes, já avisam: "lotado". É um sinal claro de que o verão é bom negócio, movimentando frete, comércio e serviços numa região que vive em grande parte dessa injeção de recursos sazonal.

Se a ideia é curtir, o planejamento tem que ser imediato. Os ingressos prometem esgotar rápido, assim que a venda oficial abrir. A Praia da Gaivota espera os turistas a partir do dia 4 de julho. O conselho para quem vai de carro é sair cedo de Palmas ou de Gurupi. O sol lá é implacável, mas a música, a cerveja gelada e a brisa do lago no fim da tarde fazem todo o esforço valer a pena. A temporada começa logo, e a areia está reservada.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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