Inscrições para realeza do Festival da Farinha começam em Cruzeiro do Sul
Concurso elege representantes da maior festa do Alto Acre; inscrições vão até 19 de junho na Secretaria de Cultura.
O rangido da raladeira de mandioca e o fumaça que sai da boca do forno são sons de trabalho que viraram música no Alto Acre. Em Cruzeiro do Sul, cidade banhada pelo rio Juruá, o cheiro de farinha torrada não fica preso na cozinha: ele invade as ruas e define o ano. É nesse cenário de aroma terroso e de pés descalços no terreiro que se abrem as portas para a 9ª edição do Festival da Farinha. Mais do que uma festa, é o reinado do "ouro branco", e a disputa pela coroa de rei, rainha, príncipe e princesa já começou.
As inscrições para a realeza foram liberadas nesta quarta-feira (10), chamando a juventude de Cruzeiro do Sul para assumir o papel de embaixadores da cultura local. Não é um título qualquer. Para ser príncipe ou princesa da farinha, é preciso ter no mínimo 16 anos e disposição para representar a origem de tudo o que se come na mesa acreana. Os interessados têm tempo até o dia 19 de junho para se apresentar na Secretaria Municipal de Cultura. O endereço é fixo: Rua Madre Adelgundes Becker, no bairro Miritizal, dentro do prédio da Prefeitura. É lá, entre documentos e canetas, que começa o rito de passagem para o palco de agosto.
A seleção tem seus rigores. Os jovens de 16 e 17 anos precisam do aval da família, levando autorização assinada dos pais, além do RG e CPF. É uma forma de garantir que a festa seja, desde o início, um evento de comunidade. Para a área urbana, o dia de apresentação e julgamento está marcado para 23 de junho. É o momento em que o samba, a elegância e o discurso sobre a importância da mandioca são postos à prova. Mas a festa não é apenas do asfalto. A organização, através da assessoria da prefeitura, confirmou que as seletivas vão bater na porta das comunidades rurais. É nas colônias e no interior do município que a farinha ganha o sabor autêntico, e é justo que de lá venham também os pretendentes ao trono.
O Festival da Farinha é o evento que faz Cruzeiro do Sul parar. Entre os dias 26 e 29 de agosto, a cidade vira um grande barracão. É quando o produtor rural sai da sombra da floresta para vender sua produção diretamente ao consumidor e mostrar que a economia da região se sustenta no suor do rosto e na força do braço. A farinha d'água, a fina e a puba viram protagonistas. Nesse contexto, a realeza não é apenas decorativa. O rei e a rainha circulam, são fotografados com o produto na mão e ajudam a contar a história de um povo que resiste à modernidade com a receita antiga da raiz.
As premiações para este ano ainda estão sendo cozinhadas em fogo brando pela organização, que não adiantou os valores. Mas o histórico da festa promete prêmios que valorizam os ganhadores, seja em dinheiro, joias ou oportunidades. O que move a maioria, no entanto, é a glória de carregar o título por um ano e o dever cívico de desfilar pelas ruas defendendo a agricultura familiar. É um compromisso com a terra.
Para quem quer entrar nessa história, o prazo aperta. A ficha de inscrição é o ingresso. O Miritizal espera os candidatos até o dia 19. A partir daí, é treino, ensaio e muito gingado para o dia da seletiva. O fumo já subiu, e o povo de Cruzeiro do Sul está pronto para mais uma festa de comer com os olhos e aplaudir de pé.
O grande encontro do Festival da Farinha acontece nos dias 26, 27, 28 e 29 de agosto. A cidade se prepara para receber milhares de visitantes que, assim como a realeza, vêm em busca do sabor genuíno do Acre.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



