Alta hospitalar encerra internações após acidente de ônibus em Paranã
Todos os feridos receberam alta médica, mas comunidade lamenta morte de estudante de 16 anos em tombamento na TO-010.
O sol já estava alto quando a informação circulou pelos corredores do Hospital Municipal de Paranã. Não eram mais boletins médicos, eram abraços. Na manhã desta quarta-feira (27), os últimos cinco estudantes e o motorista, envolvidos no acidente na TO-010, deixaram as enfermarias. A alta médica veio após uma noite de observação, encerrando o ciclo de internações causado pelo tombamento do ônibus escolar.
Para as 14 famílias, a semana termina com o alívio do regresso ao lar. Mas para a família de Kauã Dias Pereira, o tempo parou na terça-feira. O estudante de 16 anos não resistiu aos ferimentos e se tornou a vítima fatal do trajeto que era, até então, uma rotina diária. O luto agora prende a cidade em um misto de solidariedade e questioning.
O prefeito Fábio Augusto esteve pessoalmente no hospital para acompanhar o desfecho. Em declaração à imprensa local, ele detalhou o procedimento da equipe de saúde. 'Passaram a noite bem, agora cedo foram liberados para alimentação e, com a visita médica, foram avaliados. Todos tiveram alta', garantiu o gestor. A prefeitura informou ainda que, das 15 vítimas feridas — 14 alunos e o motorista —, nove haviam recebido alta ainda na terça-feira, imediatamente após o primeiro atendimento.
O foco agora se volta para as causas do acidente. O transporte escolar em Paranã é um serviço vital. A geografia do município obriga muitos alunos a percorrerem dezenas de quilômetros para chegar à sala de aula. O ônibus, da frota municipal, era o único vínculo seguro entre a casa e a escola. Na TO-010, porém, a segurança falhou. A suspeita inicial, levantada pelo próprio motorista e reforçada por peritos no local, é o estouro de um dos pneus dianteiros.
Quando um pneu estoura em uma rodovia estadual como a TO-010, a física é implacável. O motorista perde a direção, o veículo se desgoverna e, com o peso da carroceria cheia de estudantes, o tombamento se torna um risco estatístico. O que se investiga agora é se aquele estouro foi um acidente fortuito ou uma falha de manutenção. A frota da prefeitura tem logs de revisão? Quando foi a última vez que aquele eixo e aquele pneu foram vistoriados? São perguntas que a polícia técnica está respondendo no laudo pericial.
A escola, que Kauã frequentava, se prepara para um retorno difícil. A diretoria e o corpo docente acionaram o apoio pedagógico para receber os alunos sobreviventes. Trazer de volta ao ambiente escolar quem acabou de ver um colega morrer em um acidente exige delicadeza e psicologia. O trauma da cena do acidente, o som da sirene e o barulho da lataria se amassando podem voltar em qualquer ruído no pátio.
O resgate na terça-feira foi rápido. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar chegaram à TO-010 minutos depois do chamado. A cena era caótica: o ônibus deitado na berma, vidros quebrados e estudantes espalhados pela grama. O trabalho dos socorristas foi fundamental para estabilizar as vítimas e garantir que chegassem vivas ao hospital municipal. A agilidade do atendimento de emergência foi citada pelo prefeito como um dos fatores que evitou que o número de óbitos fosse maior.
Paranã respira aliviada com as altas, mas a estrada segue lá. A TO-010 exige atenção. O pneu que estourou virou símbolo de uma fragilidade que os pais, a partir de agora, vão olhar com mais cuidado ao deixar os filhos no ponto. O transporte escolar precisa ser não apenas um acesso à educação, mas um refúgio de segurança.
Famílias que desejam denunciar irregularidades no transporte escolar ou solicitar informações sobre a manutenção da frota podem procurar o Setor de Transportes da Prefeitura de Paranã, situado na secretaria municipal. O canal de ouvidoria também está aberto para registrar sugestões de segurança.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



