Feiras da 307 Norte e Aureny I são interditadas para obras em Palmas
Comerciantes são transferidos para estacionamentos e espaços provisórios enquanto prefeitura realiza adequações estruturais.
Seu Joaquim Ribeiro, 54 anos, vendia temperos e hortaliças há uma década na Feira da 307 Norte. Desde terça-feira passada (26), o box dele está vazio, cercado por tapumes amarelos da prefeitura e poeira de obra. Ele passou a madrugada de quarta desmontando a banca de madeira para garantir o sustento no fim da semana.
A interdição foi abrupta. A Prefeitura de Palmas comunicou a revitalização estrutural do espaço e ordenou a retirada de pertences, materiais e equipamentos até o fechamento da área. Para quem vive do comércio de rua, "obras" significa mais do que buraco na rua: significa deixar o conforto da cobertura fixa para o descampado do estacionamento da entrada da quadra.
A partir deste sábado (30), a feira se instala no pátio de entrada do conjunto 307 Norte, logo atrás da Arno 33. É o novo endereço provisório, determinado pela Secretaria de Serviços Urbanos (Sesurb). O município garante que a medida visa melhorar as condições de trabalho e o atendimento, mas para os feirantes, a logística de montagem do novo ponto veio com pouco aviso.
"A gente teve que chamar um caminhão de empréstimo pra levar as tábuas e os balcões. Foi uma corrida contra o tempo", conta Joaquim, enquanto ajusta o toldo improvisado no novo local. Ele teme que o cliente habitual, que para o carro deixa a janela aberta e pede "duas bananas e um maço de cheiro verde", não pare mais. "O pessoal vê a cerca, acha que a feira acabou e não vem mais aqui no fundo".
Dona Maria de Lurdes, 62 anos, vendedora de queijo e pamonha na quadra vizinha, diz que o sol é o maior adversário agora. "Lá dentro tinha o telhado. Aqui no estacionamento a gente vai ter que correr com o toldo. É Palmas, não tem pra onde correr do calor", reclama. Ela espera que a obra seja rápida, pois a renda da feira complementa a aposentadoria.
A Feira do Aureny I também passa pela situação. A estrutura coberta foi interditada para adequações, e os feirantes dali buscam alternativas nas imediações, ainda que o local provisório oficial tenha sido mais claramente sinalizado apenas para a 307. O fenômeno é comum na expansão de Palmas: o crescimento da cidade exige a manutenção das primeiras estruturas, construídas nos anos 90.
Segundo a nota da Secom, a intervenção é necessária para garantir segurança estrutural. O que falta na nota é o cronograma. Feirantes ouvidos pela reportagem disseram não ter recebido uma previsão oficial de retorno para o local original. A incerteza paira sobre o retorno do fluxo normal de clientes, que reduz drasticamente quando o ponto muda de endereço.
A prefeitura orienta que a população utilize os novos espaços provisórios para não prejudicar a economia local. O comércio de feira em Palmas movimenta uma cadeia produtiva importante, ligando o produtor rural direto ao consumidor da capital. Os novos locais, embora temporários, precisam de sinalização clara para que os moradores não sejam pegos de surpresa.
Quem precisa fazer denúncias sobre o andamento da obra ou tirar dúvidas sobre a nova localização pode ligar para a Ouvidoria Municipal no número 156. O canal funciona de segunda a sexta, das 8h às 14h. É por lá que os feirantes da 307 Norte e do Aureny I estão tentando pressionar por um cronograma mais transparente.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



