Casos de síndrome gripal aumentam 43% no Hospital de Oiapoque, aponta Sesa
Hospital registrou 166 atendimentos na segunda quinzena de maio; Vírus Sincicial Respiratório e Rinovírus atingem crianças e idosos.
A enfermeira Bruna da Silva Nunes começa o turno no Hospital Estadual de Oiapoque conferindo os números do Núcleo de Epidemiologia. Na última semana, os gráficos subiram. Entre os dias 10 e 18 de maio, ela viu a ficha de 166 pacientes com síndrome gripal cruzar a porta da emergência.
Esse número representa um crescimento de 43% em relação ao mesmo período de 2025, quando o hospital contabilizou 116 casos. O dado saiu no boletim oficial divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) na terça-feira (26). O crescimento acompanha o calendário sazonal das doenças respiratórias na região, mas pegou de jeito a rede pública na fronteira do Amapá.
Na prática, o aumento significa mais ocupação de leitos e uma demanda maior sobre a equipe médica e de enfermagem. O cenário era esperado, mas a intensidade chamou atenção. “Na última semana tivemos um aumento na entrada de pacientes com síndromes gripais mais graves. O maior público tem sido crianças e idosos. Hoje, as maiores frequências identificadas são de Vírus Sincicial Respiratório e Rinovírus”, afirmou a enfermeira Bruna, responsável pelo monitoramento.
Para entender o que está circulando pela cidade, o hospital encaminhou 22 amostras para análise laboratorial naquele intervalo de 10 dias. Dessas, nove deram positivo: três casos confirmados para Vírus Sincicial Respiratório e quatro para Rinovírus. Os demais exames seguem em andamento nos laboratórios de referência. Enquanto laudos não saem, o protocolo é de isolamento e hidratação.
Quem sente o peso desse aumento no cotidiano são as famílias com crianças pequenas. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um velho conhecido da pediatria na Amazônia e o principal causador de bronquiolite e pneumonia em bebês. Já o Rinovírus, geralmente associado ao resfriado comum, tem potencial para agravar quadros de idosos e pessoas com doenças crônicas. Em Oiapoque, onde o acesso a especialidades pode depender de travessias de fronteira ou voos, a prevenção no nível local é essencial.
A secretaria reforça que os sintomas — coriza, tosse, dor de garganta e febre — não devem ser ignorados. A orientação para a população é procurar a unidade de saúde mais próxima assim que os primeiros sinais aparecerem, evitando a automedicação. A vigilância epidemiológica continua monitorando os dados diariamente para detectar qualquer mudança no perfil de circulação viral.
O Hospital Estadual de Oiapoque segue como referência para o atendimento de média complexidade na região. A expectativa da gestão é que a curva de casos se estabilize nas próximas semanas, mas a recomendação é para que a população mantenha os cuidados básicos: lavar as mãos, manter ambientes ventilados e evitar aglomerações em espaços fechados, especialmente se houver sintomas.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



