Alunos visitam estação de tratamento em Rolim de Moura e aprendem a economizar
Estudantes da rede municipal percorrem as etapas do tratamento de água na ETA de Rolim de Moura durante ação da Semana do Meio Ambiente.
O estudante Lucas Gabriel, de 10 anos, encostou o rosto no vidro da sala de controle da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rolim de Moura. Ele queria ver onde ficava o botão que mandava água para a casa da vó dele, no bairro Novo Horizonte. Do lado de fora, sob o sol quente de Rondônia, o barulho das bombas hidráulicas comandava a rotina da unidade. Lucas e mais 29 colegas da 4ª série da Escola Municipal Prof. Maria de Fátima Oliveira deixaram a sala de aula na manhã desta sexta-feira (18) para entender o caminho que a água percorre até chegar à torneira.
A visita faz parte do projeto Portas Abertas, promovido pela concessionária Águas de Rolim de Moura em alusão à Semana do Meio Ambiente. O objetivo é tirar o tratamento do abstrato e mostrar, em concreto, o trabalho necessário para garantir a potabilidade na cidade. A turma, acompanhada pela diretora Zuleide da Silva Moreto e por professores, seguiu um roteiro que começou na captação bruta e foi até os laboratórios de análise.
No primeiro tanque, a água ainda tem cor de café com leite. É ali que entra o sulfato de alumínio, responsável por aglomerar a sujeira. "Olha, parece mágica", comentou uma aluna ao ver a lama se separar do líquido durante a decantação. O técnico da empresa explicou que nada é mágica: é química pura, seguida de filtração em camadas de areia e antracito. O processo todo leva cerca de quatro horas desde a entrada do rio até a distribuição na rede urbana.
Zuleide da Silva Moreto, diretora da escola, aproveitava cada parada para transformar a visita técnica em lição de cidadania. Enquanto a turma observava os grandes filtros, ela pegou o microfone e chamou a atenção para o volume da estrutura. "Gente, olha o tamanho disso tudo. Pensa quanta energia a gente gasta para limpar a água que vocês jogam fora brincando de mangueira", disse ela.
Para a diretora, a experiência visual é mais eficaz do que qualquer apostila. "A gente tem água em abundância aqui na região, mas é preciso saber economizar e fazer o uso correto da água, não deixar torneira aberta ao escovar os dentes, não demorar no banho. Isso é muito importante na idade deles para virar hábito de vida", argumentou Zuleide. Ela lembrou que, apesar de Rolim de Moura ser rica em recursos hídricos, o custo do tratamento é alto e o desperdício impacta o bolso de todos no final da conta.
A parada final foi nos reservatórios de água já tratada, onde o cheiro de cloro ficou mais forte. As crianças puderam ver os canos que saem da ETA e se espalham pela malha urbana. O gerente da unidade explicou que a água é monitorada a cada duas horas para garantir que não contenha bactérias ou contaminantes. Mas reforçou que o cuidado não é só da empresa. "Se a gente cuida da nascente e não polui o rio, nosso trabalho fica mais fácil e a água chega melhor para vocês", completou.
Antes de voltar para o ônibus escolar, Lucas garantiu que vai fechar o registro do chuveiro mais rápido. "Eu não sabia que dava tanto trabalho. Vou contar para minha mãe não lavar a calçada com mangueira não", prometeu o estudante. A ação continua na próxima semana com visitas de outras turmas, reforçando a ideia de que saneamento e educação caminham juntos.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



