ed. #022
nortıcia
nortícia · segurança · amapá
Nortícia SegurançaSegurança

Amapá lidera homicídios no Brasil, aponta estudo

Estado tem taxa de 45,7 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. Número de mortes cresceu nos últimos dez anos.

c
Curadoria Nortícia
Amapá · AM
26 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 505 palavras
Gráfico mostra aumento da violência no estado do Amapá
Estado tem taxa de 45,7 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. Número de mortes · Foto: Redação Nortícia

O Amapá é o estado mais violento do Brasil. A constatação não é opinião, mas dado oficial do Atlas da Violência 2026. O estudo, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), coloca o estado no topo do ranking nacional de mortes violentas.

Em 2024, o Amapá registrou 363 homicídios. Esse número representa uma taxa de 45,7 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. O índice é assustador quando comparado à realidade do restante do país. A média nacional de homicídios fica em 20,1 por 100 mil habitantes. A violência no estado amapaense, portanto, é mais que o dobro da média brasileira.

Crescimento contínuo

O cenário no Amapá torna-se ainda mais preocupante ao analisarmos a evolução dos números na última década. Enquanto o Brasil como um todo conseguiu registrar uma queda na série histórica de homicídios, o Amapá caminhou na direção oposta.

Entre os anos de 2014 e 2024, o Amapá foi a única unidade da federação a apresentar um aumento expressivo tanto na taxa de homicídios quanto no número absoluto de mortes. Nesse período, a taxa de vitimização no estado subiu 30,2%. Já o número total de homicídios cresceu 41,8%. Os dados mostram que as políticas de segurança pública implementadas no estado falharam em conter o avanço da criminalidade ao longo dos últimos dez anos.

Juventude em risco

A violência no Amapá tem um alvo específico: a juventude. Os dados do Atlas revelam que jovens e adolescentes são as principais vítimas da letalidade. A faixa etária que vai dos 15 aos 29 anos é a mais atingida, concentrando 234 das 363 mortes registradas em 2024.

A taxa de homicídios para esse público jovem é de 114,7 por 100 mil habitantes. É a maior taxa do Brasil para essa faixa etária. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a situação também é crítica. Foram 67 homicídios, resultando em uma taxa de 93,6 mortes por 100 mil habitantes. Esses números evidenciam uma perda massiva de uma geração que está em idade produtiva e de formação.

Desigualdade racial

Outro ponto alarmante destacado pelo estudo é a desigualdade racial presente na violência estadual. O Amapá apresenta uma das maiores disparidades do país neste setor. A população negra é a que mais sofre com a letalidade armada.

Foram contabilizados 351 homicídios de pessoas negras, o que resulta em uma taxa de 56,8 por 100 mil habitantes. O número mostra que o risco de morte para a população negra no Amapá é desproporcionalmente maior do que para outros grupos, reforçando a necessidade de políticas focalizadas e de urgência no combate ao racismo estrutural e à violência.

Até o momento, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp) não se pronunciou detalhadamente sobre os dados. A pasta informou, através da assessoria, que está realizando o levantamento das informações sobre o relatório. Sem um posicionamento oficial ou um plano de ação claro, o estado segue liderando um ranking indesejado e alarmante.

Com base em g1-ap.

c
◆ Repórter · Nortícia Segurança

Curadoria Nortícia

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Segurança

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em segurança no Norte. Sem agenda, sem partido.