Amapá lidera homicídios no Brasil, aponta estudo
Estado tem taxa de 45,7 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional. Número de mortes cresceu nos últimos dez anos.
O Amapá é o estado mais violento do Brasil. A constatação não é opinião, mas dado oficial do Atlas da Violência 2026. O estudo, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), coloca o estado no topo do ranking nacional de mortes violentas.
Em 2024, o Amapá registrou 363 homicídios. Esse número representa uma taxa de 45,7 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. O índice é assustador quando comparado à realidade do restante do país. A média nacional de homicídios fica em 20,1 por 100 mil habitantes. A violência no estado amapaense, portanto, é mais que o dobro da média brasileira.
Crescimento contínuo
O cenário no Amapá torna-se ainda mais preocupante ao analisarmos a evolução dos números na última década. Enquanto o Brasil como um todo conseguiu registrar uma queda na série histórica de homicídios, o Amapá caminhou na direção oposta.
Entre os anos de 2014 e 2024, o Amapá foi a única unidade da federação a apresentar um aumento expressivo tanto na taxa de homicídios quanto no número absoluto de mortes. Nesse período, a taxa de vitimização no estado subiu 30,2%. Já o número total de homicídios cresceu 41,8%. Os dados mostram que as políticas de segurança pública implementadas no estado falharam em conter o avanço da criminalidade ao longo dos últimos dez anos.
Juventude em risco
A violência no Amapá tem um alvo específico: a juventude. Os dados do Atlas revelam que jovens e adolescentes são as principais vítimas da letalidade. A faixa etária que vai dos 15 aos 29 anos é a mais atingida, concentrando 234 das 363 mortes registradas em 2024.
A taxa de homicídios para esse público jovem é de 114,7 por 100 mil habitantes. É a maior taxa do Brasil para essa faixa etária. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a situação também é crítica. Foram 67 homicídios, resultando em uma taxa de 93,6 mortes por 100 mil habitantes. Esses números evidenciam uma perda massiva de uma geração que está em idade produtiva e de formação.
Desigualdade racial
Outro ponto alarmante destacado pelo estudo é a desigualdade racial presente na violência estadual. O Amapá apresenta uma das maiores disparidades do país neste setor. A população negra é a que mais sofre com a letalidade armada.
Foram contabilizados 351 homicídios de pessoas negras, o que resulta em uma taxa de 56,8 por 100 mil habitantes. O número mostra que o risco de morte para a população negra no Amapá é desproporcionalmente maior do que para outros grupos, reforçando a necessidade de políticas focalizadas e de urgência no combate ao racismo estrutural e à violência.
Até o momento, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp) não se pronunciou detalhadamente sobre os dados. A pasta informou, através da assessoria, que está realizando o levantamento das informações sobre o relatório. Sem um posicionamento oficial ou um plano de ação claro, o estado segue liderando um ranking indesejado e alarmante.
Com base em g1-ap.
Curadoria Nortícia
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.
Leia também —
ver mais em Segurança →
Nortícia SegurançaMP bloqueia R$ 48 mi de milícia privada em operação em Rondônia
Nortícia SegurançaPF investiga ex-prefeito de Macapá em operação contra milícia digital
Nortícia Segurança