Amazonas suspende vacina do Butantan após registro de reações graves
Estado para aplicação após Ministério da Saúde identificar casos adversos; 84 notificações registradas no Amazonas, sem óbitos.
Lígia Costa, 34 anos, agente comunitária de saúde da UBS Santa Etelvina, na zona Norte de Manaus, recebeu a dose da vacina contra dengue do Butantan há duas semanas. Ela tomou no posto mesmo, durante o turno de trabalho. Agora, parada no corredor da unidade com o celular na mão, ela lê a notícia da suspensão e verifica se a dor de cabeça de ontem é cansaço ou efeito colateral.
O Amazonas decidiu parar a aplicação do imunizante nesta segunda-feira (8). A ordem veio da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), seguindo um aviso do Ministério da Saúde e da Anvisa. Eles viram 42 casos de reação forte no país, com sintomas que parecem dengue grave: dor na barriga, vômito e sangramento. Três foram graves, e dois pacientes morreram — as mortes estão sendo investigadas.
No estado, a vacinação era focada em quem está na linha de frente. A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, explicou que o imunizante era para profissionais da Atenção Primária. Dos 25.580 frascos que chegaram aqui, 5.780 já foram aplicados. A vigilância registrou 84 "eventos supostamente atribuíveis à vacinação ou imunização" — o termo técnico para reações. Até agora, não tem registro de óbito ligado à vacina no Amazonas.
João Pedro Souza, 29 anos, enfermeiro da UBS do Jorge Teixeira, ainda estava na fila para tomar a segunda dose. Ele trabalha todos os dias com casos suspeitos de dengue e via na vacina uma segurança. "A gente vive no meio do mosquito. Agora ficou aquela dúvida: é melhor ter a proteção parcial ou arriscar a reação? É angustiante para a gente que tá na ponta", conta João, conferindo o estoque de testes rápidos na sala de procedimentos.
A suspensão é preventiva. O Ministério da Saúde pediu um "time-out" para revisar os dados. A vacina do Butantan é recentinha no calendário nacional, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer entender se há um padrão nos quadros graves. A medida vale para todo o Brasil, mas o impacto aqui é direto na tropa que faz o bloqueio das doenças.
Tatyana Amorim reforçou que a situação no Amazonas é de monitoramento. "No Amazonas, a vacina estava sendo oferecida para profissionais da Atenção Primária à Saúde. Das 25.580 doses recebidas pelo estado, 5.780 já foram aplicadas e houve a notificação de 84 eventos supostamente atribuídos à vacinação ou imunização (Esavi), sem registro de óbitos relacionados ao imunizante", disse a diretora em nota oficial divulgada na manhã desta segunda.
A aplicação começou recentemente no estado como parte da estratégia de imunização de grupos prioritários. Enquanto a investigação nacional rola, as doses ficam lacradas nas câmaras frias das secretarias municipais e da capital. Quem já tomou deve ficar atento aos sintomas graves nos próximos dias.
Quem sentiu algo estranho depois da vacina ou tem dúvida sobre o quadro clínico deve procurar a unidade de saúde mais próxima ou ligar para a Vigilância Epidemiológica do município. Em Manaus, a FVS funciona na Avenida Torquato Tapajós, bairro Flores, e orienta que qualquer evento adverso seja notificado pelo e-mail notifica@fvs.am.gov.br ou pelo telefone 0800 280 8129.
Ananda Rocha
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



