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Nortícia CidadesEstiagem 2026

Rio Acre baixa para 2,83 metros em Rio Branco e Defesa Civil monitora estiagem

Manancial perdeu 40 centímetros em uma semana; não chove na capital desde o dia 1º de junho.

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Ananda Rocha
Acre · AM
08 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 573 palavras
Vegetação exposta e solo seco nas margens do Rio Acre no centro de Rio Branco.
Manancial perdeu 40 centímetros em uma semana; não chove na capital desde o dia 1º de junho. · Foto: Redação Nortícia

Seu Raimundo Nonato, 62 anos, encara a lama exposta na margem do Rio Acre atrás da Antiga Estação da Viação Férrea, no centro de Rio Branco. Ele é pescador desde os 18 anos. Na manhã desta segunda-feira (8), Raimundo teve que empurrar sua embarcação por cerca de 20 metros de areia até alcançar uma lâmina d'água navegável. O motivo é visível: o Rio Acre baixou para 2,83 metros na capital, ficando abaixo da marca de três metros pela primeira vez em 2026.

Em apenas uma semana, o manancial recuou 40 centímetros. Na última sexta-feira (5), a medição registrada pela Defesa Civil Municipal já indicava cota crítica de 2,96 metros. A paisagem mudou rápido: bancos de areia surgiram na orla e o cheiro de lama seca começou a tomar conta do ar. Não chove em Rio Branco desde o dia 1º de junho, e a previsão climática para o mês não traz alívio, indicando apenas 39,4 milímetros de chuva.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, está de olho nos gráficos. Segundo ele, a medição da sexta-feira é a quarta pior do período nos últimos dez anos. "Estamos com a medição que perde apenas para 2016 e 2024, que tiveram marcas menores no período", destacou Falcão. Curiosamente, no mesmo dia do ano passado, o rio estava em 2,44 metros — um nível tecnicamente pior —, mas o que preocupa as autoridades agora é a velocidade do recuo e a ausência total de precipitação.

Quem sente o impacto no bolso e na rotina são os moradores que dependem do rio. No bairro do Lago do Socó, a comerciante Vera Lúcia Silva, 51 anos, reclama que o movimento na sua banca de quebra-coco caiu 30%. "O turista vem, tira foto do fundo seco e pergunta se o rio morreu. Parece um deserto lá dentro", conta Vera, que aponta para o lago estagnado. Ela também nota que a pressão da água da torneira no Conjunto Novo Horizonte, onde mora, anda fraca nos fins de semana.

Do outro lado da ponte Getúlio Vargas, na localidade do Xapuri, o barqueiro José Ribamar, 45 anos, precisou recalcular o tempo de viagem. "Tinha uns pontos que a gente entrava com o barco bem na porta do cliente, agora tem que descer no meio da lama. O motor faz força e puxa fundo", explica José. Com o nível baixo, a navegação fica perigosa pela manhã e à tarde por causa de troncos submersos que aparecem mais perto da superfície.

A Defesa Civil Municipal mantém o monitoramento diário. O foco são as áreas ribeirinhas mais vulneráveis e a captação de água para abastecimento. O órgão alerta que, se a estiagem se prolongar, o isolamento de pequenas comunidades nos igarapés que cortam a cidade pode se agravar. A prefeitura reforça que a população deve economizar água e evitar queimadas em áreas urbanas, já que a umidade relativa do ar está baixa.

O período crítico da seca no Acre geralmente vai até setembro. Enquanto a chuva não volta, o cotidiano de Raimundo, Vera e José se adapta ao cenário de água baixa. A paisagem de areia branca no meio do leito do rio é, por enquanto, o cartão-postal da estiagem de 2026.

Moradores que observam qualquer alteração brusca no nível dos igarapés ou necessitam de informações sobre abastecimento podem ligar para a Defesa Civil de Rio Branco no número 199. A prefeitura também disponibiliza boletins diários na página oficial da prefeitura na internet.

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◆ Repórter · Nortícia Cidades

Ananda Rocha

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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