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Amazônia Que Eu Quero debate democracia digital e impacto de IA nas eleições no Acre

Evento no Ifac discute combate à desinformação e papel da tecnologia no pleito, com transmissão ao vivo.

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Eliana Castro
Acre · AM
03 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 627 palavras
Auditório do Instituto Federal do Acre lotado durante debate sobre eleições e tecnologia.
Evento no Ifac discute combate à desinformação e papel da tecnologia no pleito, com transmissão ao v · Foto: Redação Nortícia

O projeto "Amazônia Que Eu Quero" realiza nesta terça-feira, 18 de junho, em Rio Branco, debate sobre o impacto das tecnologias digitais e da inteligência artificial na integridade do pleito na região. A iniciativa visa equipar cidadãos e autoridades para enfrentar a desinformação no contexto eleitoral.

A discussão é crítica para o Acre e para os demais estados da Amazônia Legal, onde a assimetria de informações e a dependência de redes de WhatsApp funcionam como vetores aceleradores de notícias falsas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que a região Norte registrou o maior crescimento de notificações por disseminação de fake news no último ciclo eleitoral, superando a média nacional em 15 pontos percentuais.

O encontro, marcado para as 14h30 no auditório do Instituto Federal do Acre (Ifac), conta com apoio da Fundação Rede Amazônica e transmissão ao vivo pelo portal G1. O painel insere-se na série de debates do projeto "Amazônia Que Eu Quero", que percorre os estados do Norte para discutir desenvolvimento sustentável e democracia. O tema central da edição acreana foca na "Democracia na Era Digital e a importância da busca da informação correta e o papel dos organismos de fiscalização".

A escolha do Ifac como sede não é aleatória. A instituição reúne o público jovem, o mais suscetível à exposição a conteúdos manipulados e o mais propenso a atuar como multiplicador de verificação. A coordenação do evento enfatiza que a tecnologia não é inimiga, mas uma ferramenta que exige novos parâmetros éticos e jurídicos. A regulamentação da inteligência artificial nas campanhas políticas é uma das lacunas legislativas que o debate pretende expor.

A mediação ficará a cargo do apresentador Murilo Lima, da Rede Amazônica. Em declarações prévias, Lima ressaltou que o combate à desinformação exige uma atuação em três frentes simultâneas: educação básica, avanço tecnológico e rigor legislativo. "Não basta punir quem manda a mensagem; é preciso entender por que ela é aceita como verdade pelo receptor", argumentou o apresentador. O painel trará analistas que detalharão o funcionamento de algoritmos de recomendação e o impacto de robôs na polarização política nas cidades do interior.

O TSE tem reforçado o combate à desinformação através de resoluções que obrigam partidos e coligações a identificarem explicitamente conteúdo gerado por IA em peças de propaganda. No entanto, a fiscalização realitária é limitada pela extensão territorial e pela criptografia de aplicativos de mensagem. Em municípios do interior do Acre, como Cruzeiro do Sul e Tarauacá, a chegada da informação depende de rádios comunitárias e grupos de família, onde a checagem de fatos é mais lenta e a verificação técnica, mais difícil.

A expectativa é que o painel produza um documento com recomendações técnicas para o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC). Entre as pautas sugeridas pela organização estão a criação de comitês locais de verificação e a formalização de parcerias com universidades públicas para monitoramento em tempo real durante o período eleitoral. A experiência acreana servirá de piloto para os demais encontros programados no Pará e em Rondônia.

A integração entre comunicação tradicional, como a TV Rede Amazônica, e novas plataformas digitais é apontada como estratégia vital para garantir pluralidade em um ambiente saturado de ruído. O evento busca reafirmar o papel da imprensa profissional como filtro de qualidade. A integridade das urnas eletrônicas, constante alvo de ataques desinformativos sem lastro técnico, também entrará na pauta das discussões.

O próximo passo do projeto "Amazônia Que Eu Quero" é a realização de um seminário em Belém, em julho, focado na economia da floresta e na regulação ambiental. Porém, a pauta eleitoral do Acre serve como alerta antecipado para os desafios democráticos que permeiam as eleições municipais de 2026. A participação popular no auditório do Ifac será o termômetro do engajamento da sociedade civil nesse processo de defesa da institucionalidade.

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◆ Repórter · Nortícia Política

Eliana Castro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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