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Nortícia CulturaFestival de Parintins

Arena Planeta Boi traz prévia de Parintins com toadas de jazz em Manaus

Evento na Arena da Amazônia reúne 35 mil pessoas e conta com Amazonas Jazz Band e vozes oficiais dos bois.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
30 de mai. de 2026
publicado
2 min
de leitura · 396 palavras
Palco iluminado com luzes azul e vermelha durante ensaio na Arena da Amazônia.
Evento na Arena da Amazônia reúne 35 mil pessoas e conta com Amazonas Jazz Band e vozes oficiais dos · Foto: Redação Nortícia

O som do surdo ecoa contra os pilares de concreto da Arena da Amazônia antes mesmo do sol se pôr. É o ritmo do batuque que vai sacudir Manaus neste sábado (30), mas chega temperado pelo sopro dos metais. Na Arena Planeta Boi, a toada tradicional não sai do lugar; ela ganha arranjos de jazz, uma tradução sonora que deixa o corpinho do boi vibrar em frequências urbanas.

É a prévia oficial do Festival de Parintins na capital, um evento que não se resume a ensaio, mas que se firmou como o aquecimento obrigatório para os 35 mil fãs que vão lotar o estádio para ver o batalhão de cores azul e vermelho sem precisar pegar o barco no porto. A promessa é de rua, de poeira e daquele frisson que antecede a peleja no Bumbódromo.

Quem comanda essa fusão rítmica é o maestro Ênio Prieto, regente da Amazonas Jazz Band. Ele pegou as toadas que o povo canta dormindo acordado e as desenhou em partituras para saxofones e trompetes. A ideia não é apagar a raiz, mas mostrar que ela cabe em qualquer pauta. É a primeira vez que o grupo integra oficialmente a programação, trazendo uma sofisticação harmônica para o universo bovino.

Mas o jazz é apenas o tempero. O feijão com arroz da festa continua sendo o canto das vozes que fazem o Bumbá acontecer. Do lado Garantido, sobem ao palco Marcia Siqueira e Julieta Câmara, vozes que já conhecem a geografia do galpão e sabem o momento exato de segurar o fôlego. Na trincheira Caprichosa, Mara Lima e Paula Gomes trazem o brilho e a gravidade que o torcedor exige na hora do crítica.

Também circula por ali o grupo Bumba Beat, que faz a ponte sem soltar a mão da tradição. Eles misturam o maracatu rural com batidas contemporâneas, provando que o boi não é estátua de museu, mas ser vivo que se reinventa a cada ciclo. O evento promete ainda resgatar manifestações que acontecem na calada da noite, como a Alvorada e o Boi de Rua, adaptando a intimidade da madrugada para o palco grande.

O Arena Planeta Boi acontece neste sábado, a partir das 16h, na Arena da Amazônia. Quem for vai sentir o cheiro do chiclete e o gosto da farinha no ar, provando que o espírito de Parintins atravessa o Rio Negro e toma conta da cidade.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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