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Nortícia CulturaPrévia de Parintins

Arena Planeta Boi reúne itens de Caprichoso e Garantido em prévia em Manaus

Evento na Arena da Amazônia antecipou a disputa do Festival Folclórico com apresentação dos 21 itens dos bois azul e vermelho.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 643 palavras
Apresentação de boi-bumbá na Arena da Amazônia com multidão nas arquibancadas.
Evento na Arena da Amazônia antecipou a disputa do Festival Folclórico com apresentação dos 21 itens · Foto: Redação Nortícia

O som da caixa surda da Marujada de Guerra não pede permissão; ele invade, treme o peito e faz a arena de futebol parecer, por duas horas, uma extensão das ruas de terra de Parintins. Na noite deste sábado (30), a Arena da Amazônia deixou de ser o lar do futebol para virar o palco da quinta edição do Arena Planeta Boi. Eram mais de 30 mil coroadores espalhados pelas arquibancadas, uma mancha mista de azul e vermelho que, ao contrário da briga oficial da ilha, vibrou ali em um aquecimento que misturava a saudade das toadas antigas com a curiosidade pelo que vem por aí.

Foi uma prévia do caos organizado que toma conta do Amazonas em junho. O ar pesado de Manaus, úmido e quente, parecia apenas combustível para o fogo da torcida. A noite começou com uma imersão diferente. A Amazonas Jazz Band subiu ao palco não para tocar o jazz frio de clubes noturnos, mas para relembrar a alma dos bois. Eles pegaram clássicos do Garantido e do Caprichoso e vestiram com metais, criando uma ponte sonora entre o sofisticado e o raiz. Era o aviso: a folia séria estava começando.

Por volta das 22h, o Caprichoso tomou a pista. Mas não veio o boi de arena, cheio de efeitos pirotécnicos e cenários gigantes. Veio o "boi de rua". Essa modalidade é onde a brincadeira mostra sua cara mais verdadeira. É o boi que desce do Bumbódromo e vai pro meio do povo, sem filtros, sem o brilho excessivo, valendo o gingado do ritmista e a força da voz do puxador. O ritmo é menos freado, mais solto, feito para a galera acompanhar com o corpo todo. Os 21 itens — criaturas que dão vida ao enredo — performaram "Brinquedo que Canta Seu Chão", o tema que o azul trouxe para este ano. A música pede menos autoria e mais raiz, e a performance seguiu o script: pouco enfeite, muito ritmo.

A galera nas arquibancadas respondeu como se estivesse na beira do rio. Gritos, palmas, o corpo acompanha o "bum-bo-bum" dos tambores. Entre os destaques, a presença de Marciele Albuquerque, a ex-BBB que assumiu o posto de cunhã-poranga. Ela entrou no tatame não como celebridade, mas como quem está ali para um trabalho de ancestralidade. O movimento de saia, o olhar desafiador e o respeito à figura da mãe do boi arrancaram aplausos que soaram como urros de aprovação. É esse tipo de conexão que faz o Festival de Parintins ultrapassar a fronteira do evento turístico e virar algo sagrado para quem assiste.

Enquanto o Caprichoso encerrava sua apresentação, o Garantido já se preparava nos bastidores, prometendo manter a disputa equilibrada. A noite de Manaus serviu para medir a temperatura. O clima de expectativa é palpável: falta menos de um mês para a oficialização no Bumbódromo, e a sensação deixada pelo "esquenta" é que os dois bois vêm bem equipados, tanto na parte folclórica quanto na emocional.

Para quem está fora do eixo Manaus-Parintins, é difícil explicar a intensidade dessa brincadeira. Não é apenas carnaval com temática indígena. É a afirmação de uma identidade que resiste, que se atualiza todos os anos, que mistura o sagrado e o profano em um espetáculo de luz e som. O Arena Planeta Boi prova que o mercado cultural do Norte não precisa virar samba para vender; ele vende muito bem o seu próprio batuque.

A festa agora embarca para a ilha. O Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 28, 29 e 30 de junho. Os ingressos já disputados à venda online e nas bilheterias da cidade. Quem quiser sentir o verdadeiro clima de "guerra" nos dias 30, 29 e 28, deve sintonizar a Rede Amazônica ou garantir passagem na última barca, pois o chão de Manaus já baixou a poeira, e a arena de verdade está pronta para receber os bumbás.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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