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Nortícia CulturaDespedida do Festival

Último Samba Manaus é anunciado em noite de nostalgia no Sambódromo

Show com Sorriso Maroto e Turma do Pagode marcou lançamento da edição de 2026, última do festival em Manaus, com público lotado e emoção.

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Karina Pinheiro
Amazonas · AM
31 de mai. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 646 palavras
Palco iluminado com luzes roxas e azuis no Sambódromo de Manaus durante show de pagode com público lotado.
Show com Sorriso Maroto e Turma do Pagode marcou lançamento da edição de 2026, última do festival em · Foto: Redação Nortícia

A batida do surdo ecoou madeira adentro no Sambódromo de Manaus, mas não foi só o ritmo que subiu a arquibancada neste último sábado (30). Era um misto de cheiro de cerveja gelada e aquele vapor característico da chuva que ameaçava cair, embalando uma multidão que veio celebrar não apenas uma festa, mas o fim de uma era. O Samba Manaus, festival que transformou a capital amazonense em referência nacional do pagode, realizou o seu lançamento oficial, e a noite foi tingida de uma nostalgia boa, aquela que dói um pouco mas aquece o peito.

O evento não serviu apenas para anunciar o line-up de 2026 — a última edição da história do festival — mas para reescrever a memória de quem esteve lá. A Fábrica de Eventos, mentora da produção, convocou os pesados: Sorriso Maroto, Turma do Pagode, Uendel Pinheiro e Mikael. No entanto, o grande show talvez tenha sido a própria plateia, um mar de gente que veio não só da capital, mas de cidades do interior do Amazonas, provando que o laço cultural do samba é mais resistente que as distências da floresta.

Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto, subiu ao palco com o microfone na mão, mas o olhar perdido na multidão. Não era a primeira vez. O Sorriso Maroto cresceu junto com o Samba Manaus, e Bruno disse, com a voz embargada, que aquele palco foi fundamental para a trajetória do grupo no Norte. "Os grandes shows aconteceram através do Samba Manaus. A gente está aqui emocionados e felizes para reencontrar essa galera que acompanha o trabalho do Sorriso Maroto", afirmou ele, sintetizando o sentimento de uma noite que era, acima de tudo, um reencontro.

O pagode toca diferente em Manaus. Não é só o arranjo musical, é a forma como o público absorve. A arquibancada do Sambódromo, que em fevereiro pulsa para o carnaval, agora recebia o samba no tom da despedida. A Turma do Pagode trouxe o clássico, Uendel Pinheiro arrancou gritos com a voz que carrega o jeito de ser do Amazonas, e Mikael completou o quebra-queixo. Uendel, o dono da voz que fez o crossover do axé para o samba sem perder o gingado, esteve presente para lembrar que o festival também foi berço para artistas locais. A música amazonense, muitas vezes sufocada pela lógica de centros hegemônicos, encontrou no Sambódromo um espelho para se ver grandiosa. Quando Mikael subiu ao palco, a transição foi fluida, mostrando que a curadoria do evento sempre entendeu que o público queria dançar, mas também queria ouvir, sentir e se reconhecer nas letras.

Era a certeza do fim que dava o tom à noite. O Samba Manaus se despede consolidado como um dos maiores do gênero na região, deixando um legado que não some com o encerramento das portas. Pesquisadores da cultura local sempre apontaram que festivais como esse funcionam como vitrines e termômetros do gosto popular. O Samba Manaus foi vitrine para quem subiu ao palco e termômetro para a cidade que cantou junto. Foi espaço para mostrar que a produção de eventos na Amazônia tem qualidade, pique e capacidade de atrair nomes que, muitas vezes, só passariam pelas capitais do Sudeste.

A programação completa da despedida foi revelada, mas o que ficou para o público presente foi a sensação de dever cumprido. O festival morre jovem, no auge da relevância, e morre de pé, ao som de um pagode que faz o chão tremer. A festa de 2026 se promete como a coroação de tudo o que foi construído ao longo desses anos.

A programação oficial do Samba Manaus 2026 já está disponível nos canais oficiais do evento. Para quem ainda não foi, a última chamada é o convite perfeito para conferir de perto o que Manaus tem de melhor quando o assunto é ritmo e acolhimento. É a última chance de fazer parte da história do Samba Manaus.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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