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Arraiá da Capitá abre São João em Macapá com festa popular na Praça Jacy Barata

Macapá celebra a tradição junina com o Arraiá da Capitá, evento gratuito que reúne quadrilhas, música e concursos na Praça Jacy Barata.

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Karina Pinheiro
Amapá · AM
19 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 555 palavras
Fogueira acesa à noite em praça pública, com milho assado sendo servido em primeiro plano.
Macapá celebra a tradição junina com o Arraiá da Capitá, evento gratuito que reúne quadrilhas, músic · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de pólvora dissolvido no ar morno é o primeiro aviso de que o São João chegou a sério em Macapá. Na Praça Jacy Barata Jucá, a fumaça sobe das fogueiras misturada ao aroma intenso de milho verde assado na palha, um perfume que convida quem passa a esquecer o trânsito da Avenida Duque de Caxias e entrar no passo arrastado da quadrilha. É o Arraiá da Capitá 2026, o evento que tira a festa dos shoppings climatizados e devolve para o asfalto, para o povo, para o suor da roupa colada ao corpo.

Macapá não é apenas a porta de entrada do Brasil; é também o palco onde o folguedo amapaense se reinventa a cada junho. De sexta-feira (19) a domingo (21), a praça se transforma no quintal da cidade. Não se trata apenas de uma comemoração, mas da abertura oficial da quadra junina no estado, marcada pela organização caprichada da Federação das Entidades Juninas e Folclóricas do Amapá (Feaj).

Quem já pisou na areia ou no cimento da praça sabe que a animação não é aleatória; é orquestrada. As quadrilhas, muitas delas formadas por jovens que trocam a chuteira pela botinha de couro, ensaiam o balão e o marcador há meses. O som do zabumba bate no peito, ditando o ritmo de uma dança que celebra o casamento matuto, mas que, na verdade, celebra a resistência da cultura local em meio à modernização.

A comida não pode ser coadjuvante. Em bancas espalhadas pelo local, a canjica fica no ponto ideal, nem muito rala nem empapada, coberta com canela em pó e um tico de coco ralado na hora. A pamonha, envolvida na própria palha, sai quentinha do tacho. É o momento de parar, enxugar a testa com o lenço e provar o doce que a terra oferece antes de voltar à roda de sanfona.

A programação começa rigorosamente às 18h, quando o sol ainda deixa um céu cor de laranja no horizonte. À medida que a noite cai, as luzes de pipa e o brilho dos fogos de artifício tomam conta do visual. É nessa hora que a cidade perde a urgência do dia a dia. O evento é gratuito, um detalhe importante que permite que a diversão seja democrática: famílias inteiras, idosos que contam histórias de outros juninos e crianças que pela primeira vez seguram uma bandeira, todos ocupam o mesmo espaço.

Além da força física da festa na rua, o fim de semana cultural de Macapá ganha camadas. A programação também reserva espaço para o audiovisual com a exibição do curta-metragem 'Leilão das Almas', uma opção para quem procura a mesma profundidade cultural, mas em outra frequência, sentado na poltrona de um cinema, absorvendo narrativas locais que ecoam o mesmo espírito de identidade do arraial.

O Arraiá da Capitá é mais do que um evento no calendário; é o termômetro do que o Amapá curte. É ali, entre um forró e um quentão, que a cidade se reconhece. A Feaj garante que o forró não vire só ritmo de rádio, mantendo vivas as raízes do congo e do maracatu que, às vezes, aparecem disfarçados nas melodias juninas.

O encontro acontece na Praça Jacy Barata Jucá, no centro de Macapá, a partir das 18h. A entrada é franca, e a única exigência é chegar disposto a tirar o pó da dança.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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