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Junino em Belém: Copa do Mundo, Xeiro Verde e Krenak na agenda do fim de semana

A capital paraense mistura a torcida pela seleção com o brega de Hellen Patrícia e a reflexão de Ailton Krenak em um fim de semana de festa.

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Karina Pinheiro
Pará · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 681 palavras
Palco iluminado com o rio ao fundo durante evento cultural noturno em Belém.
A capital paraense mistura a torcida pela seleção com o brega de Hellen Patrícia e a reflexão de Ail · Foto: Redação Nortícia

O cheiro de milho verde assado na brasa invade o cais do porto antes mesmo do sol se pôr. É sexta-feira (19) à noite, e a expectativa para o jogo do Brasil contra o Haiti já se mistura ao som de ensaio dos tambores no Arraial do Porto. Hellen Patrícia, da Banda Xeiro Verde, está microssone no palco, e o brega dela, aquele que não dá pé, vai comandar a torcida com um gingado que mistura o fervor da seleção com a alegria do nosso São João. Na arquibancada, não se vê apenas a camisa amarela, mas também chapéus de palha e roupa de caipira, pois Belém em junho não escolhe calendário: pega a Copa do Mundo e encaixa no meio da quadrilha.

A cidade virou um palco gigante onde o grito de "gol" divide espaço com o arrasta-pé. Neste fim de semana, a agenda é um convite para sair de casa, sentir o calor de 30 graus abraçado a uma lata gelada e ver o rio Guajará brilhando ao fundo. No Arraial do Porto, a programação começa cedo. A tela gigante é o foco para os olhos, mas o redor é que é a festa para o corpo. A Feira Criativa, com empreendedores dos projetos sociais Usipaz e Cepa, espalha barracas pelas calçadas de pedra. É ali que você encontra artesanato local, aquele bolso de pano feito por quem sabe costurar histórias, e bebidas refrescantes para espantar a umidade. A Xeiro Verde sobe às 19h. Hellen é conhecida por essa vocalidade potente que lembra as grandes cantoras de cordão, mas com a modernidade do forró eletrônico que invade as rádios locais. É impossível ficar parado quando ela pega o refrão e a torcida responde em coro.

No sábado (20), a batida muda, mas o clima de celebração permanece. Quem assume o comando da animação é a Banda Frutos do Pará. Eles levam a levada do carimbó e do lundu para o meio da multidão. O trombone ronca e o zabumba bate no peito, criando uma trilha sonora perfeita para comer um caldo de cana fresco ou um pastel de forno enquanto se discute a escalação do time. O Arraial de Belém, estrutura montada para receber as multidões, oferece aquela mistura de parque de diversões e festa de bairro, com luzes coloridas refletidas na água negra do rio.

Mas a cidade não é só festa e futebol; ela tem camadas profundas. Para quem quer um momento de pausa e reflexão no meio da algazarra, o espetáculo "Ideias para adiar o fim do mundo" traz a urgência do pensamento de Ailton Krenak para os palcos belenenses. Inspirado na obra do líder indígena, o espetáculo propõe um olhar cuidadoso sobre a nossa relação com a terra e com o outro. Em meio ao alvoroço das festas juninas e da Copa, o teatro surge como um lugar para respirar e repensar o futuro. A montagem promete ser visual e poética, lembrando que cuidar do mundo é um ato político e diário, e que a Amazônia não é apenas cenário, mas protagonista.

A programação cultural ainda reserva espaço para o "Feirinha Japa", que acontece em outro ponto da cidade, geralmente movimentando a noite com sua gastronomia asiática fusionada com o gosto local. É nesses cruzamentos de culturas — o japonês em Belém, o brega no futebol, o pensamento indígena no teatro — que a identidade paraense se reinventa toda semana, teimosa e viva. O fim de semana na capital pede chinela, protetor solar e muita disposição para o saracoteio, seja na beira do rio torcendo, comendo milho na palha ou ouvindo as sabedorias de Krenak.

Onde estar: O Arraial do Porto fica na Avenida Boulevard Castilhos França, bairro da Campina. A entrada é franca e a programação começa às 18h, indo até a meia-noite. Já para o espetáculo "Ideias para adiar o fim do mundo", consulte a programação dos teatros da cidade, como o Theatro da Paz ou espaços culturais independentes, para horários e disponibilidade de ingressos. Se chover, não se preocupe: a festa continua debaixo do guarda-sol, afinal, esse é o clima da gente.

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◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

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