ed. #025
nortıcia
nortícia · cultura · acre
Nortícia Cultura30ª edição

Carnavale em Brasiléia anuncia Parangolé e Koyote para festa na fronteira

Comemoração de 116 anos da cidade acreana terá três dias de axé na Praça Hugo Poli com atrações nacionais.

k
Karina Pinheiro
Acre · AM
18 de jun. de 2026
publicado
3 min
de leitura · 698 palavras
Palco iluminado montado na Praça Hugo Poli durante edição anterior do Carnavale em Brasiléia.
Comemoração de 116 anos da cidade acreana terá três dias de axé na Praça Hugo Poli com atrações naci · Foto: Redação Nortícia

O ritmo do baile atravessa a rua sem olhar para a placa que diz "Fim de País". Em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, o som do axé ecoa com a mesma força em português e espanhol. É assim que começa a contar a história da 30ª edição do Carnavale, o festival que pára o Alto Acre no meio do inverno amazônico para celebrar os 116 anos de uma cidade moldada pelo látex e pela linha divisória.

A folia chegou para ficar. Há três décadas, o Carnavale nasceu da vontade de estender o calor das festas juninas para abraçar o calendário de julho, criando uma identidade própria no estado do Acre. Não é um carnaval de rua como o do Rio, nem o frenesi de Salvador; é uma festa de fronteira, de portões abertos na Praça Hugo Poli, onde o trio elétrico divide espaço com a geometria das árvores da praça e o cheiro típico da região se mistura ao perfume da multidão. Este ano, a prefeitura confirmou o que os foliões já aguardavam: a festa terá peso nacional para garantir que a tradição dos 116 anos do município seja comemorada com alto volume.

Na noite de 4 de julho, a Praça Hugo Poli vai vibrar com a batida que define gerações de foliões em todo o Brasil. A banda Parangolé sobe ao palco para trazer o axé baiano no seu estado mais puro e energético. É impossível ficar parado quando Lincoln Senna, vocalista, puxa os clássicos que embalam as festas de rua desde os anos 90. A expectativa é que o refrão se transforme em um mantra coletivo, unindo acreanos e os visitantes bolivianos e peruanos que já programaram a travessia da fronteira para a data. É a música servindo como ponte, ou melhor, como passarela sem alfândega.

No dia seguinte, 5 de julho, o microfone passa para Koyote. O vocalista da Banda Luxúria, que construiu uma carreira sólida no cenário pop nordestino, promete encerrar a tríade de noites com shows que vão até às três da manhã. Koyote traz um repertório que mistura o forró eletrônico com o pop romântico, garantindo que o público, seja ele da vila mais próxima da BR-317 ou vindo da capital Rio Branco, encontre um tom para cantar junto.

Brasiléia, com seus 116 anos, é uma cidade que respira a fronteira. Fundada no ciclo da borracha, hoje vive do intenso comércio e da troca constante com a vizinha Bolívia. O Carnavale é o maior cartão-postal dessa vivência. O prefeito Carlinhos do Pelado (PP) ressaltou, durante o anúncio feito nesta quinta-feira (18), que a expectativa não é apenas encher a praça, mas aquecer a economia local. Hotéis e comércios se preparam para o aumento de demanda, recebendo uma mistura de sotaques que torna a festa única na região Norte.

A escolha da Praça Hugo Poli não é aleatória. Localizada no coração da cidade, ela é o palco natural das manifestações de Brasiléia. É lá que a comunidade se encontra para os eventos cívicos, as feiras e, agora, para o momento de maior efervescência cultural do ano. A estrutura de palco montada para receber as atrações nacionais contrasta com a arquitetura simples do entorno, criando uma cenografia que mistura o grandioso do show com a intimidade do interior.

A programação completa, que deve incluir atrações locais e a tradicional abertura, ainda é aguardada com expectativa pelos organizadores. Mas os nomes principais já funcionam como um grito de reunião. A festa começa dia 3 de julho e promete transformar o centenário município no epicentro do lazer no Acre.

Para quem quer entender o que é o Vale do Rio Acre fora da capital, o Carnavale é o convite perfeito. São três dias para experimentar a culinária de rua local entre um show e outro, ouvir histórias de quem vive dividido entre dois países e sentir o suor na pele dançando ao som que veio da Bahia, mas que, aqui, tem sotaque da floresta.

A 30ª edição do Carnavale acontece entre os dias 3 e 5 de julho, na Praça Hugo Poli, Centro de Brasiléia. A entrada é franca, e o ponto de encontro é logo ali, onde a rua acaba e começa a festa.

k
◆ Repórter · Nortícia Cultura

Karina Pinheiro

Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.

Reportagens como essa, no seu e-mail

Newsletter da Nortícia Cultura

Toda terça, uma carta com o que aconteceu de mais importante em cultura no Norte. Sem agenda, sem partido.