Carnavale em Brasiléia anuncia Parangolé e Koyote para festa na fronteira
Comemoração de 116 anos da cidade acreana terá três dias de axé na Praça Hugo Poli com atrações nacionais.
O ritmo do baile atravessa a rua sem olhar para a placa que diz "Fim de País". Em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, o som do axé ecoa com a mesma força em português e espanhol. É assim que começa a contar a história da 30ª edição do Carnavale, o festival que pára o Alto Acre no meio do inverno amazônico para celebrar os 116 anos de uma cidade moldada pelo látex e pela linha divisória.
A folia chegou para ficar. Há três décadas, o Carnavale nasceu da vontade de estender o calor das festas juninas para abraçar o calendário de julho, criando uma identidade própria no estado do Acre. Não é um carnaval de rua como o do Rio, nem o frenesi de Salvador; é uma festa de fronteira, de portões abertos na Praça Hugo Poli, onde o trio elétrico divide espaço com a geometria das árvores da praça e o cheiro típico da região se mistura ao perfume da multidão. Este ano, a prefeitura confirmou o que os foliões já aguardavam: a festa terá peso nacional para garantir que a tradição dos 116 anos do município seja comemorada com alto volume.
Na noite de 4 de julho, a Praça Hugo Poli vai vibrar com a batida que define gerações de foliões em todo o Brasil. A banda Parangolé sobe ao palco para trazer o axé baiano no seu estado mais puro e energético. É impossível ficar parado quando Lincoln Senna, vocalista, puxa os clássicos que embalam as festas de rua desde os anos 90. A expectativa é que o refrão se transforme em um mantra coletivo, unindo acreanos e os visitantes bolivianos e peruanos que já programaram a travessia da fronteira para a data. É a música servindo como ponte, ou melhor, como passarela sem alfândega.
No dia seguinte, 5 de julho, o microfone passa para Koyote. O vocalista da Banda Luxúria, que construiu uma carreira sólida no cenário pop nordestino, promete encerrar a tríade de noites com shows que vão até às três da manhã. Koyote traz um repertório que mistura o forró eletrônico com o pop romântico, garantindo que o público, seja ele da vila mais próxima da BR-317 ou vindo da capital Rio Branco, encontre um tom para cantar junto.
Brasiléia, com seus 116 anos, é uma cidade que respira a fronteira. Fundada no ciclo da borracha, hoje vive do intenso comércio e da troca constante com a vizinha Bolívia. O Carnavale é o maior cartão-postal dessa vivência. O prefeito Carlinhos do Pelado (PP) ressaltou, durante o anúncio feito nesta quinta-feira (18), que a expectativa não é apenas encher a praça, mas aquecer a economia local. Hotéis e comércios se preparam para o aumento de demanda, recebendo uma mistura de sotaques que torna a festa única na região Norte.
A escolha da Praça Hugo Poli não é aleatória. Localizada no coração da cidade, ela é o palco natural das manifestações de Brasiléia. É lá que a comunidade se encontra para os eventos cívicos, as feiras e, agora, para o momento de maior efervescência cultural do ano. A estrutura de palco montada para receber as atrações nacionais contrasta com a arquitetura simples do entorno, criando uma cenografia que mistura o grandioso do show com a intimidade do interior.
A programação completa, que deve incluir atrações locais e a tradicional abertura, ainda é aguardada com expectativa pelos organizadores. Mas os nomes principais já funcionam como um grito de reunião. A festa começa dia 3 de julho e promete transformar o centenário município no epicentro do lazer no Acre.
Para quem quer entender o que é o Vale do Rio Acre fora da capital, o Carnavale é o convite perfeito. São três dias para experimentar a culinária de rua local entre um show e outro, ouvir histórias de quem vive dividido entre dois países e sentir o suor na pele dançando ao som que veio da Bahia, mas que, aqui, tem sotaque da floresta.
A 30ª edição do Carnavale acontece entre os dias 3 e 5 de julho, na Praça Hugo Poli, Centro de Brasiléia. A entrada é franca, e o ponto de encontro é logo ali, onde a rua acaba e começa a festa.
Karina Pinheiro
Equipe Nortícia · Manaus, AM. Cobertura jornalística independente do Norte do Brasil.



